renovação

ao celebrarmos a páscoa, inseridos civilizacionalmente no mundo cristão, sejamos crentes ou não, estamos a dar continuidade a ritos de renovação, cuja origem se perde nos tempos, associados ao equinócio de março que marca o início da primavera. na ressurreição de cristo repercute-se a renovação da vida associada ao despertar da natureza após os meses de invernia. o ovo, como símbolo da vida e do recomeço, é oferecido nesta altura do ano, pintado, em todas as civilizações pré-cristãs, do egipto à pérsia, da grécia a roma. ovos de galinha ou de gansa, esvaziados do seu conteúdo e depois decorados ao gosto da época. no século 18, um francês lembrou-se de os fazer em chocolate e a moda pegou. a amêndoa, como miniatura da forma do ovo. o coelho, símbolo da fertilidade, também há muito anda associado a esta época. o cristianismo reciclou todos estes ritos. se a nossa páscoa vem etimologicamente do pessach (passagem) hebraico, que assinala a fuga do egipto e o estatuto de povo livre, já o easter inglês ou o ostern alemão evocam eostre, antiga deusa germânica associada aos ritos de fertilidade. carregamos tradições ancestrais, somos um elo entre o antigo e o que há-de vir, renovemo-nos.