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domingo, julho 08, 2007

equally destructive

montado e exposto no youtube por um anónimo, como o seu contributo pessoal para o triplo sete. mais eficaz do que muitos discursos e certamente do que a emissão da rtp. o som é de uma banda holandesa, after forever.

festa na aldeia

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ontem houve festa na aldeia. duas festas, para ser mais preciso. quero desde já deixar bem expresso o meu desagrado por termos sido vítimas de um logro. disseram por aí que o dia 07/07/07 ia ser o dia em que lisboa seria o centro da aldeia, com a festa das 7 maravilhas, mas depois os americanos e os ingleses, cheios de inveja, inventaram à pressa uma festa nos seus bairros, só para estragar a festa de lisboa. ainda por cima disfarçaram a coisa convidando outros bairros, de maneira a que lisboa passasse perfeitamente despercebida. duas festas globais. uma dedicada ao património cultural edificado, que nos foi deixado pelas gerações passadas, outra dedicada ao património natural, muito mais antigo, e muito mais necessário para as gerações futuras. não é de estranhar, pois, que uma tenha sido uma festa televisiva clássica, enquanto que a outra foi principalmente um net-event, que a rtp tentou, mal e porcamente, acompanhar. falou-se muito, blá blá blá, ficamos a saber quais as estrelas do nosso bairro que fecham a água quando têm shampoo nos olhos, quem é que separa as garrafas de cerveja das latas de cerveja. de repente toda a gente tinha uma dica para dar.

a festa das maravilhas, foi um bocado para o pirosa, com aquela gente quase toda a cantar em playback. alguém devia avisar o josé carreras que não tem jeito nenhum para a coisa. houve uns efeitos giros, tipo cerimónia dos jogos olímpicos, o fogo de artifício que se impunha e o anúncio das maravilhas, as do bairro e as da aldeia. as do bairro até foram bem distribuídas (é para estas coisas que serve a ironia). 6 para a região de lisboa e uma para o berço da nacionalidade. 3 mosteiros, 2 castelos, 1 palácio e 1 anexo que ninguém sabe bem para o que serve ou serviu. já as da aldeia, ficaram bem espalhadas. concordo perfeitamente com o taj mahal e com petra, com a muralha que se vê do espaço e com machu-pichu, até com o coliseu e a outra pirâmide do méxico, mas o crucifixo do rio de janeiro... é que não tem nada a ver! então e as estátuas da ilha da páscoa? então e o alhambra?

a festa do planeta foi um bocado confusa. muito sinceramente, não vi consciência ecológica nenhuma. até a minha filha de 13 anos reparou que os gajos estavam a gastar bué da energia. já se calculou o impacto negativo que este live earth teve no efeito de estufa? as emissões de co2 devem ter sido qualquer coisa! foram 24 horas de luta (lá está ela outra vez, a ironia). para ser uma coisa a sério, deveriam ter feito como nos encontros da rainbow family of the living light. enormes concertos acústicos à luz de fogueiras. passei o tempo a tentar perceber até que ponto os figurões, os do bairro e os da aldeia, estavam ali por acreditarem verdadeiramente e estarem dispostos a participar numa mudança de atitudes e de hábitos, ou apenas a promoverem o figurino que os embrulha. ao menos nesta parte, a festa das maravilhas foi mais autêntica. era figurino e ponto, sem complexos nem falsas consciências. e depois, o al gore não é o bob geldof, o planeta agonizante não é tão apelativo como as crianças pretinhas agonizantes e com moscas nos olhos, e a coisa não tem piada sem o bono, que é o gajo mais porreiro da aldeia.

foto: full moon party at the rainbow gathering of the tribes, croatia, 2004, pilhada daqui

segunda-feira, junho 18, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

boas notícias

um glaciologista norte-americano alertou que o degelo no ártico pode acontecer já em 2020, 30 anos antes das piores previsões do painel intergovernamental para as alterações climáticas. isto dá-me alguma esperança, a mim que sempre quis ir ao pólo norte, mas não me estava a imaginar a andar dias e dias sobre o gelo. sei de fonte segura que as agências de viagens e os operadores de cruzeiros, preparam já para o verão de 2021 cruzeiros em paquetes e veleiros de luxo, com partida da costa norte da gronelândia e terminus na sibéria, com passagem pelo pólo norte. a mesma fonte revelou-me que uma equipa internacional de criativos está já ocupada com a concepção do ritual a ser seguido a bordo aquando da passagem, à semelhança do que acontece quando se cruza o equador. o dito ritual incluirá obrigatoriamente movimentos rotatórios descoordenados, de todos os passageiros e tripulação, simbolizando o que acontece às agulhas magnéticas das bússulas, além do habitual champanhe bem geladinho. vai ser uma festa!

domingo, fevereiro 04, 2007

quarta-feira, dezembro 20, 2006

por causa de um pôr-do-sol

Foto@EPA/Nabil Mounzer, retirada daqui

a foto do dia hoje no portal sapo é este pôr-do-sol. imagem relaxante, sem dúvida, convidando à evasão da mente, nem se percebe bem porque será a foto do dia. mas depois na legenda pode-se ler: "as alterações de clima neste inverno proporcionam um atípico pôr-do-sol em ramlet al beida, na praia de beirute, no líbano". na posse desta informação, a imagem altera-se aos nossos olhos e as cores adquirem tonalidades ameaçadoras. ou não. as alterações climáticas, negadas pelas altas autoridades da economia mundial, parecem hoje ser um dado inquestionável nos meios científicos. traçam-se cenários catastróficos para o futuro. mas não há consensos. há bem pouco tempo, uma autoridade científica na matéria de que não me lembro o nome (pois!), dizia que o aquecimento global apenas está a retardar a evolução natural para uma nova era glaciar. lembro-me também que segundo previsões da década de 70 do século passado, neste momento eu deveria estar a viver num deserto, que, à falta de melhor nome, se deveria continuar a chamar sahara, pois seria resultado da extenção deste. as árvores à volta da minha casa continuam bem verdes. o planeta terra é um sistema complexo com enormes mecanismos de compensação ainda desconhecidos para a humanidade, um planeta vivo, com homeostasia própria, sempre foi um sistema dinâmico em constante mutação. a vida, também já provou conseguir adaptar-se às condições mais extremas, a todos os habitats possíveis. às vezes, ocorre-me que provavelmente ninguém sabe verdadeiramente do que é que está a falar...