terça-feira, janeiro 29, 2008
... e um fremitozinho percorreu o país de lés a lés, agitando (pouco) as águas pardas e turvas da nação...
portanto, temos remodelação. sai a isabel pires de lima, que se portou no ministério da cultura como elefante em loja de cristais, sai o vampiro dos hospitais, e entram duas cândidas criaturas em estado de graça. resta saber até quando durará. os media lançam-se, vorazes, no encalço de toda e qualquer patifaria que os novos ministros tenham feito desde que envergaram pela primeira vez o bibe com que entraram para a escola primária (ou até talvez mesmo antes disso), os líderes da oposição aparecem no telejornal por ordem decrescente de assentos parlamentares, dizendo blá, blá, blá, blá, blá, por fim os comentadores oficiais aspirantes a opinion-makers dizendo de sua justiça. pouco vai mudar, quanto muito questões de estilo, a gente ganha pouco, mas diverte-se muito neste jardim.
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sexta-feira, fevereiro 02, 2007
não mexam no meu queijo
semana cansativa esta. tenho o serviço em obras. barulho de paredes a serem partidas, entulho a ser escoado por uma janela, tecto falso esventrado, fios e canos expostos e pendurados, milhentos aparelhos amontoados, sacos e sacos de tralha a saírem constantemente, invasões sucessivas de operários e carregadores, cacifos amontoados e desordenados. e no meio disto tudo uma equipa de profissionais que mantém a estrutura a funcionar, em condições precárias e temporárias, o improviso de novos circuitos e métodos.
trabalho num laboratório integrado num edifício com quase 30 anos e que nunca tinha sofrido qualquer remodelação. por laxismo, por desinteresse de chefias máximas e intermédias, por comodismo. quando falo em nenhuma remodelação, falo em remodelações de espaço, de orgânica, de distribuição de tarefas. apenas se foi actualizando tecnicamente. a mudança de chefia intermédia, motivou uma série de remodelações. tardia, a maior parte delas. o meu anterior director, cuja reforma foi uma das coisas boas 2006 e no cargo por mais de uma década, limitou-se a manter a estrutura herdada, deixando-a deteriorar-se até ficar quase irreconhecível, obrigando a maior parte das pessoas a entrar em autogestão. muitas vezes sem qualquer coordenação entre si.
trabalho, portanto num serviço em convulsão. as remodelações sucedem-se, as águas agitam-se. curioso assistir a pessoas, que antes criticavam o status quo, incomodadas por estas alterações. no fundo estavamos todos adaptados ao sistema. muitos criticavam mas na realidade não queriam que as coisas funcionassem, nem que fosse porque essa era a sua melhor desculpa para eles próprios não funcionarem também. ou funcionarem a meio gás. a maior parte estava adaptada à autogestão, com tudo o de mau e o de bom que isso significa, era preciso sobreviver.
curioso assistir, no meio da confusão, a pessoas verdadeiramente incomodadas porque o SEU cacifo (para muitos uma verdadeira extensão da sua casa, o seu espaço privado no espaço colectivo que é um local de trabalho) não se encontrava no local habitual. curioso também assistir a pessoas, que supostamente deveriam estar superactivas a coordenarem partes deste processo de desmantelamento e reconstrução, quase paralisadas e sem saberem por onde começar. curiosa, finalmente, a enorme vontade de rir que me dá, no meio da barafunda, quando paro por momentos e me ponho simplesmente a assistir.
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nelio
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