quinta-feira, junho 05, 2008
segunda-feira, junho 02, 2008
excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #5
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sexta-feira, 23 de maio de 2008
a felicidade momentânea consiste em picar e beber una cerveza ao pé da água desta badía de palma, deste porto-marina imenso e olhar para todos estes barcos, que vão do mais pequeno e insignificante ao mais sofisticado dos veleiros de grande curso. grandes paquetes de cruzeiro, iates a motor de todos os tamanhos, pequenos veleiros, barcos de pesca, todos estão aqui representados, como se assistisse a uma grande convenção dos barcos. mastros, poderiam contar-se mais de mil, se paciência para isso houvesse. as aceitunas têm travo de manjar do olimpo, também o têm a ensaladilla, os champiñones, os calamares, as croquetas, los pimientos, el pulpo e la pica pica. a paz que sinto é partilhada pelos grupos dispersos por esta grande esplanada do dàrsena, em pleno passeig maritim, com vista privilegiada para toda a baía. três pontos de luz destacam-se na noite. do meu lado direito, altaneiro e vigilante, o castelo gótico de bellver, único na europa com forma circular, mandado construir em 1300 por jaume II, rei de mallorca, no curto período da história em que estas ilhas foram reino independente. do meu lado esquerdo, imponente e orgulhosa, a catedral de palma, la seu como lhe chamam, jóia gótica que demorou mais de trezentos anos a edificar, recheada de tesouros de arte sacra de todos os séculos desde que começou a ser construída. obra conjunta de muitos mestres, gaudi remodelou-a em 1904, barceló acrescentou-lhe a contemporaneidade já neste século 21. o terceiro ponto de luz é a lua, a começar a minguar. só não se reflecte nas águas porque as formas dos barcos ocupam todo o espaço por debaixo dela. um triângulo de luz. mágico. para ser mais perfeito terias que estar aqui.
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sábado, maio 31, 2008
plaza mayor, palma de mallorca
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excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #4
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
só boas surpresas.
palma de mallorca, que eu pensava ser apenas uma estância turística, revela-se uma cidade cheia de história e interesse.
o congresso não é mau de todo, os espanhóis basicamente têm os mesmos problemas que os portugueses, mas debatem-nos de uma maneira completamente diferente. o simples facto de se tratarem todos por tu facilita a comunicação e coloca todos os interlocutores ao mesmo nível. não vejo por aqui nenhuma daquelas eminências pardas que se passeiam com ar altivo pelos congressos portugueses, aqueles à volta dos quais os jovens ambiciosos fazem um círculo de beija-mão. os trabalhos do congresso decorrem com fluência e sempre com sumo. há orgulho nos trabalhos, mas a vaidade é muito pouca. a troca de experiências é abundante e o desejo de construir em conjunto é evidente. debate-se ciência fundamental, mas também aspectos muito práticos de organização. objectivos práticos e como atingí-los.
o grupo de portugueses de que faço parte também não está mal. é inevitável nestes grupos falar-se de viagens, das partes do mundo que cada um conhece, de histórias rocambolescas. dos filhos e dos problemas profissionais. o convívio tem sido bom, apesar de termos todos acabado de conhecer-nos. normalmente fujo desse convívio para não aturar gente pedante que olha por cima do sobrolho. detesto histórias de quem conta com todos os pormenores a sua estadia no hotel do gelo na lapónia e nos "diz" entre sorrisos "eu já lá estive e tu não".
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quinta-feira, maio 29, 2008
excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #3
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
aos vinte e cinco minutos de espera dentro do avião, o comandante, que eu ainda não sabia que era o comandante, fala pelo sistema de som, em alemão, durante tempo considerável. vejo a expressão consternada dos meus fellow travelers e cresce em mim a ansiedade. quando chega a versão em inglês fico a saber que algum funcionário do check-in se enganou e enviou para aquele voo passageiros que deveriam ir para outras paragens. o compasso de espera, revela o comandante que eu agora já sei que é o comandante, é o tempo de evacuar os passageiros enganados e de encontrar no porão, no meio das malas de toda aquela gente que fala como se estivesse a beber café a ferver, as malas que não deveriam, nunca deveriam, ter ido parar àquele avião. não se sabe quanto tempo vai demorar a demanda. afinal é rápido. pouco depois chega a informação de que as malas, as malditas malas, já foram evacuadas e podemos partir. primeiro em alemão, depois em inglês. este é um voo de portugal para espanha e as informações chegam primeiro em alemão, depois em inglês.
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quarta-feira, maio 28, 2008
excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #2
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
a sala de embarque abre apenas dez minutos antes da hora de embarque. entretanto, o gado, que fala como se estivesse a beber café a ferver, acumula-se no corredor em volta das portas de correr que teimam em manter-se fechadas. senta-se em qualquer lado, no chão, nos corrimões, em todas as reentrâncias, atrapalhando a passagem dos passageiros que se dirigem às salas mais à frente. separam-nos das cadeiras confortáveis da sala de embarque, enormes paredes envidraçadas através das quais olhamos, com o mesmo olhar que as crianças ostentam quando olham para as montras cheias de doces. dez minutos antes da hora de embarque, as assistentes de terra encaminham-se para as portas de correr. devagar, vagarosamente, lentamente, conversando entre si. trivialidades. sem desviarem o olhar passam por entre o gado, digitam o código de acesso e as portas, as malditas portas, abrem-se de par em par. é então que penso que as assistentes são tão simpáticas, tão eficientes, que apetece esbofeteá-las.
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excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #1
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quarta-feira, 21 de maio de 2008
que faço eu num avião cheio de alemães que falam como se estivessem a beber café a ferver? certamente é isto a europa que tanto se apregoa. voar de faro para palma de mallorca, de portugal para espanha, numa companhia com nome de capital alemã, num avião cheio de alemães. a europa é isto. observo estes alemães e, não fosse a maior prevalência do olho azul e do cabelo palha, poderiam ser portugueses. somos tão parecidos. o povo, o povinho, é todo igual. as atitudes, os trejeitos, a indumentária, os jornais desportivos e as revistas cor-de-rosa, a irrequietude das crianças, as mães preocupadas e vigilantes, os pais aparentemente alheios mas sempre controladores.
na loja de revistas do aeroporto de faro há uma estante de discos com oito prateleiras. cinco com discos da mariza, duas e três quartos com discos da amália e o quarto restante com discos da teresa salgueiro. rodrigo leão, a naifa, camané, dead combo, certamente melhores embaixadores da portugalidade do século 21, estão pura e simplesmente ausentes. somos mesmo maus a promover-nos.
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