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terça-feira, junho 03, 2008

pagava uns milhões, se os tivesse...

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Photobucket

o primeiro americano a passear no espaço, faz hoje 43 anos. edward white teve o prazer de sentir esta sensação que deve ser única. a minha única grande frustração por não ser multimilionário é saber que é altamente improvável vir a ter a sensação de ver do espaço este calhau que habitamos. inveja da mais pura.
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domingo, maio 04, 2008

mater

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maternidade, almada negreiros, 1935

sexta-feira, abril 25, 2008

sempre!

recolha de imagens para avivar a memória. tanto que crescemos, que aprendemos, que evoluímos. só a liberdade nos permitiu este percurso, por vezes feito aos tropeções. liberdade para tropeçar, para cair, para levantar e continuar o caminho. para sonhar, para acreditar. para construir, organizar, melhorar. para instruir. para participar. para criar e reciclar. para contestar e criticar. para sorrir, para sentir. para pensar e opinar. para viver e não esquecer. nunca esquecer. como era, como foi e como não queremos que volte a ser, viver sem liberdade.


25a scratch (nell'assassin no largo do carmo)




não, não e não




revolucionês 1




revolucionês 2




revolucionês 3




now we want the real democracy



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quarta-feira, abril 23, 2008

o poder dos livros

em 2003 mladen penev, designer gráfico de origem búlgara, criou esta série que, melhor do que 1.000.000 de palavras, sintetiza o admirável mundo que se abre através da leitura. para assinalar o dia mundial do livro.














quarta-feira, março 19, 2008

dia do pai

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quarta-feira, outubro 17, 2007

cinismos e contracensos

dia internacional da erradicação da pobreza, desperta contra a pobreza, campanha pobreza zero. há uns anos atrás, teria estado lá, a despertar, mas hoje, um enorme cepticismo baseado na experiência e na observação impede-me de me entusiasmar com este tipo de eventos. despertar? a pobreza é um dado novo nas nossas existências? chamar a atenção dos líderes políticos de que é preciso fazer mais e melhor contra a pobreza? alguém acredita que eles não tenham consciência do mundo em que vivem, da pobreza nos seus próprios países? sendo um problema transversal, atinge todos os países. é um ponto sem nó. não é novidade para ninguém que a capacidade produtiva do planeta é suficiente para todos os seus habitantes e que a pobreza resulta pura e simplesmente da divisão desequalitária da riqueza. entre os países e dentro dos países. perdoem-me o desabafo, mas cada vez o mundo se torna mais incompreensível. lutar contra a pobreza vai contra os princípios básicos do capitalismo dominante, que o mundo rejubila por ter levado a melhor sobre o comunismo. então a palavra de ordem não é arrecadar o mais possível? então o crescimento económico e o crescimento do poder das empresas não é o novo graal? só posso concluir que os chamados objectivos do milénio para 2015 foram um enorme acto de cinismo, e que a maior parte dos líderes mundiais que assinaram o documento na o.n.u. tinha os dedos cruzados atrás das costas e davam risadinhas interiores durante o acto, quais meninos mal comportados quando mentem com convicção.
e depois, a pobreza e a desgraça fazem parte dos ícones obrigatórios em qualquer serviço noticioso. para o povo sentir aquele incomodozinho e ficar muito feliz porque ainda tem umas résteas de sensibilidade no sistema límbico. depois vem o futebol e a telenovela, e tudo passa. mas fica a sensação de que somos muito solidários. não importa que no dia seguinte olhemos os pobres da nossa comunidade com desdém e pensemos que são assim porque não querem trabalhar. que pensemos que os pretos não têm emenda e que nunca conseguirão fazer e manter um país decente. salvam-se alguns idealistas, que por erro genético e desadequação social vão mantendo vivas estas chamas. ou não passa tudo de um imenso folclore?


música: death of an idealist, iLiKETRAiNS





sábado, outubro 06, 2007

how to get sick

a sic fez 15 anos. para comemorar, uma parada que vejo por breves momentos. foram demais. o leão branco do circo cardinalli não era o único bicho raro a desfilar. as "estrelas" da estação são muito mais raras do que o leão. duvido que haja muitos profissionais de televisão assim tão imbecis. as televisões não são como as pessoas, que vão ficando mais inteligentes à medida que crescem. pelo menos algumas. recordo-me da lufada de ar fresco que foi a sic quando apareceu. actualmente não é nada, a não ser uma parada de imbecilidades. a tvi, pelo menos, é assumidamente pimba. a sic nem isso.

segunda-feira, outubro 01, 2007

dia mundial da música



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gosto de estruturas complexas, de harmonias difíceis, de ritmos compulsivos e hipnóticos, de melodias desconhecidas. mas gosto também de músicas depuradas até à sua essência, dos espaços de silêncio entre os sons. gosto de ideias novas, de territórios pouco explorados, da miscigenização, do cruzamento de linguagens, do inclassificável. grande parte de mim é música, vive da música. por muito que me atraiam as palavras, é na música que encontro repouso perfeito, reconforto, plenitude. sempre foi assim, e sempre assim será, mesmo que um possível retrocesso tecnológico da humanidade me prive dos registos actuais que servem de veículo à difusão da música. uma simples sucessão de sons desperta em mim uma melodia. qualquer cadência de sons prolonga-se interiormente, adquire estrutura e transforma-se num ritmo. vivo música, respiro música. não ligo a estilos. ao longo dos anos já me fixei na pop, no rock, no jazz, na world, na clássica, na contemporânea, no hip-hop, no lounge, no trance, na barroca, na antiga, na tribal, na indie, na alternativa e em todas as outras gavetinhas com etiquetas diversas, em que os críticos se esforçam por compartimentar a música. e em todas elas encontrei motivos de surpresa, de deleite, de prazer profundo. gosto de sons novos, diferentes, daqueles que a princípio se estranham e depois se entranham. mas gosto também dos sons que transportam e evocam as culturas que os viram nascer há muito tempo.
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e depois há aquelas músicas que nos tomam pelas entranhas, percorrem cada fibra nossa e provocam estados emocionais que as palavras não abarcam. músicas que anulam qualquer racionalidade, que nos transportam e nos prendem a cada nova batida, a cada novo acorde. que nos fazem sair do tempo e nos deixam suspensos num lugar semelhante ao vácuo. apenas a música e a nossa percepção, ela, a música, a fluir pelos poros, pelas artérias, pelos neurónios. são momentos únicos na existência. atingem a transcendência.
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há uma música interior que nunca me abandona, que se constrói com os sons do quotidiano. há uma música interior que nunca se cala, que me acompanha em qualquer situação, feita de retalhos sonoros que se estruturam. a mais pura das artes, a mais etérea.
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banda sonora: eno+byrne - regiment; the cinematic orchestra - all things; the cure - all cats are grey

terça-feira, setembro 11, 2007

contributos para um 11 de setembro de qualidade







quando a 15 de setembro de 2001 o maestro leonard slatkin dirigiu a orquestra da b.b.c. neste "adagio for strings" de samuel barber, em homenagem às vítimas dos atentados ocorridos 4 dias antes, criou-se um novo requiem. barber, compositor norteamericano falecido 20 anos antes, fornecia assim banda sonora para o lamento e o desânimo, para a dor de uma nação. o 11 de setembro acabou abruptamente com a miragem de um novo século em paz, precipitou uma escalada de tensões e forneceu argumentos aos senhores da guerra para que ela voltasse a fazer parte do nosso quotidiano. toda a gente se recorda exactamente de onde estava e o que estava a fazer quando as televisões invadiram todos os espaços com as imagens de um povo e das torres em agonia. toda a gente se recorda de onde estava quando despertou para uma nova realidade global e descobriu que aviões civis podiam ser transformados em armas letais. não foi apenas a américa que foi atingida, foi todo um modus vivendi que foi abalado. não sejamos hipócritas. por muito críticos que sejamos em relação aos estados unidos e ao papel que reclamam para si na ordem mundial, um pouco de nós morreu também naquele dia, à medida que os corpos choviam das torres e as cinzas tomavam conta de tudo. nada justifica a barbárie a que assistimos.

o que se seguiu, todos nós sabemos. a pior administração norteamericana de que temos memória a fazer uso dos argumentos mais falaciosos e de todas as técnicas de manipulação, mantendo um povo refém do medo e da insegurança, e tentando estender essa manipulação a toda uma civilização.

uma pessoa é uma pessoa, e a morte de uma pessoa é a morte de uma pessoa. a vida de um norteamericano não vale mais do que qualquer outra vida. ao longo destes seis anos já houve muitos dias em que morreram, em circunstâncias violentas, mais do que as 2863 vítimas dos atentados do 11 de setembro. mortos anónimos e sem rosto. asiáticos, que aos nossos olhos de ocidentais são todos iguais; iraquianos, que todos os dias voam aos pedaços; africanos famintos. vivemos num mundo de hipocrisias. porque relembramos uns e esquecemos outros? as imagens que se seguem fazem parte de uma campanha da m.t.v. que foi proibida pelo governo norte-americano, e é fácil perceber porquê. não encaixam nos esquemas manipulatórios e de martirização oficiais. deixam a nú as hipocrisias.

2863 morreram. há 630 milhões de sem-abrigo no mundo. o mundo uniu-se contra o terrorismo. já se deveria ter unido contra a pobreza.

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2863 morreram. 824 milhões de crianças passam fome em todo o mundo. o mundo uniu-se contra o terrorismo. já se deveria ter unido contra a fome.


2863 morreram. há 40 milhões de infectados pelo vírus h.i.v. em todo o mundo. o mundo uniu-se contra o terrorismo. já se deveria ter unido contra a s.i.d.a.

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quarta-feira, julho 18, 2007

born, never asked

big science, o primeiro registo musical gravado por laurie anderson, editado há 25 anos, é agora alvo de reedição comemorativa, melhorada, como não podia deixar de ser. é difícil falar de laurie, tal a sua dimensão criativa. nunca quis ser uma artista mainstream, big science não foi um álbum planeado como tal e nunca quis fazer carreira musical. artista multifacetada, inconformada, com um olhar crítico sobre a sociedade e um humor muito próprio, laurie afirmou-se nos primeiros tempos como performer. criava espectáculos globais, em que a música era apenas mais um dos elementos. por insistência de algumas pessoas próximas gravou uma das músicas (o superman) que utilizava na sua performance "united states live". uma edição de 1000 exemplares foi posta à venda apenas por correio, não nos esqueçamos que estamos a falar na era pré-internet. quis a sorte que alguns desses exemplares atravessassem o atlântico e um deles fosse ter às mãos de john peel, então um dos radialistas mais influentes no reino unido, que o integrou na sua playlist. perante o êxito daquela música estranha e repetitiva, a edição de 1000 cópias esgotou rapidamente e os pedidos não paravam de chegar. daí à gravação do disco foi um passo. big science viu assim a luz em 1982. um disco intemporal, construído com instrumentos pouco convencionais e com "canções" que nada tinham de banal. a novidade e estranheza do som determinaram o sucesso. entre as músicas de big science figurava este "born, never asked", aqui reproduzida como banda sonora de um vídeo amador. na altura da edição portuguesa estava eu em lisboa, estudante universitário e a fazer um curso amador de iniciação ao teatro com o hoje incontornável actor joão grosso. para exercício final do curso, montamos um pequeno espectáculo baseado em dois contos, um de katherine mansfield e outro de ray bradbury, que se alternavam e se interligavam no final. a temática era o desejo. a garrafa azul, assim se chamava o espectáculo, foi à cena numa pequena sala de um edifício antigo ali para os lados do largo do rato, instalações cedidas por um sindicato qualquer. born, never asked era a primeira música de cena, começava a tocar com as luzes em blackout, o "what is behind that curtain" era perfeito para o início do espectáculo. ainda hoje, ao ouvir os primeiros acordes, revivo a sensação de ansiedade à medida que a música se desenrolava e o momento de começar a representar se aproximava. foi a minha primeira experiência de palco. talvez por isso, laurie anderson ocupou sempre um lugar especial no meu olimpo pessoal. segui sempre a sua carreira atentamente, assisti a todos os espectáculos que me foi possível. passou no fim de semana passado por cá outra vez com o seu mais recente espectáculo "homeland" e foi com grande pena que não me foi possível delocar-me a lisboa para a ver. se procurarem bem no youtube, encontram filmagens piratas do espectáculo no teatro circo de braga. intemporal, big science tem 25 anos, mas bem que podia ter 25 dias, como li algures nessa blogosfera.

segunda-feira, julho 02, 2007

born on the 2nd of july

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2 de julho é o 183º dia do ano no calendário gregoriano (184º em anos bissextos). faltam 182 para acabar o ano. por haver 182 dias antes e 182 depois, este é o dia do meio do ano (182+1+182=365). sendo o dia oposto à passagem do ano, poderia ser conhecido como o dia do meio ou o dia do oposto. gosto de qualquer das hipóteses.

455 - giserico, rei dos vândalos, entra em roma e saqueia a cidade durante quatorze dias.
1502 - um furacão destrói a cidade de santo domingo, a primeira fundada pelos espanhóis na América.
1798 - expedição militar francesa ataca o egipto. napoleão bonaparte toma alexandria de assalto.
1860 - fundação da cidade de vladivostok.
1877 - nasce hermann hesse.
1897 - guglielmo marconi patenteia o rádio.
1900 - primeiros testes do dirigível zeppelin.
1903 - cuba aluga aos e.u.a. a baia de guantánamo, para a construção de uma base naval.
1928 - um decreto concede o direito de voto sem restrições às mulheres no reino unido.
1944 - segunda guerra mundial: a Alemanha lança sobre a Inglaterra os primeiros mísseis utilizados na história, os v-1.
1964 - violentas manifestações nos e.u.a. entre a população negra de new york, new jersey, chicago e filadélfia. o presidente johnson assina a lei de direitos civis, que proibe a segregação em locais públicos.
1966 - a frança realiza a sua primeira experiência atómica no atol de mururoa.
1976 - reunificação do vietname.
2000 - fim da hegemonia do partido revolucionário institucional, que governou o méxico durante 71 anos, ao ser vencedor nas eleições presidenciais o candidato do partido de acção nacional, vicente fox.
2005 - principal dia do espectáculo live 8, organizado por bob geldof.

não é um dia qualquer...

terça-feira, maio 22, 2007

hergé

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no centenário do nascimento de georges remi, tinha que se falar dele aqui. ficará para sempre conhecido por hergé, o pseudónimo que inventou a partir das iniciais do seu nome e que utilizou para assinar as aventuras do repórter tintin. um dos maiores ícones do século 20, há muito que tintin extravasou as fronteiras da banda desenhada, falando-se frequentemente do projecto sempre adiado de steven spielberg para o passar para o grande ecran, em figuras de carne e osso. tenho a agradecer a hergé a minha grande, enorme, paixão por banda desenhada. quando as aventuras de tintin se tornaram demasiado "grandes" para continuarem a ser publicadas no suplemento juvenil "le petit vingtiéme", hergé fundou "le journal du tintin", revista semanal dedicada exclusivamente à banda desenhada, que publicava as histórias em continuação ao longo de vários números. o sucesso da revista levou a que se multiplicassem as edições noutras línguas e noutros países, e portugal não foi excepção. tinha eu 11 anos quando a descobri, ia ela no sexto ano de publicação. tornou-se um hábito semanal quase tão importante como respirar, ansiava pelo dia de publicação para poder continuar a seguir as histórias. comprei todos os números anteriormente publicados, e enquanto a revista portuguesa foi saindo, foi ritual imprescindível na minha vida enquanto crescia. cada número era lido e relido, tratado com cuidado, e ainda hoje a colecção completa repousa em lugar de destaque nas minhas estantes. com a revista, foi todo um universo de autores que entrou no meu mundo para nunca mais sair. edgar pierre jacobs, paul cuvelier, aidans, jacques martin, dupa, william vance, morris, uderzo, greg, giraud, godard, degroot, hugo pratt, tibet, meziéres, derib, hermann, dany, cosey, will eisner e tantos outros. quando a revista portuguesa terminou, passei a comprar a belga, que na altura ainda se publicava. entretanto surgiu a excelente (à suivre), revista mensal mais virada para um público mais adulto (do qual eu tinha passado a fazer parte por força da roda da vida), que também passei a comprar. ler banda desenhada está-me entranhado tão fundo que nem sei explicar, foi-me incorporado aos 11 anos, naquela tarde, naquele quiosque.

quando hergé morreu em 1983, trabalhava na 24ª aventura do seu repórter, "tintin e o alph'art", que deixou inacabada. a aventura tornou-se mítica, e o seu título deu inclusivamente nome aos prémios atribuídos anualmente no salão de angoulême, os prémios "alph'art", uma espécie de óscares da banda desenhada. por expressa vontade de hergé, a sua obra não podia ser retomada. yves rodier, um jovem desenhador canadiano fã de hergé, pegou clandestinamente no trabalho do mestre, entretando publicado em álbum, e completou-o em 1995, com um traço bastante fiel ao original, mas a fundação hergé recusou e proibiu a sua publicação. quando soube destes factos, há cerca de 10 anos, fiquei cheio de curiosidade, porque o material publicado oficialmente não era bem um álbum de banda desenhada, eram os esboços do mestre, mas lê-lo não dava aquele gozo que se tira de uma boa história desenhada. o que eu não imaginava, era que o trabalho de rodier estivesse disponível na net. mas está, aqui, em versão integral, mas em língua inglesa. acabo de o descobrir e não posso deixar de o partilhar. adivinham-se algumas horas em frente ao computador, embora não seja, de maneira nenhuma, a maneira ideal de ler o tão aguardado 24º álbum das aventuras de tintin.

quinta-feira, abril 26, 2007

parabéns antena 3

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a rádio que melhor serviço público faz neste país, faz hoje 13 anos. parabéns antena 3. pelos 13 anos de existência, pelo papel fundamental que tem tido no apoio à actual música portuguesa de expressão urbana e por ainda apostarem em programas de autor nesta era das malfadadas playlists. como registo, aqui ficam 13 dos mais interessantes projectos portugueses que conheci através da antena 3, muitos deles ainda em maquetes, quando eram (alguns ainda são) desconhecidos do grande público. por ordem alfabética.

quarta-feira, abril 25, 2007

o 25A da blogosf3ra

bem mais interessante do que o das sessões solenes. os múltiplos posts corrosivos do mundo perfeito, a selecção de vídeos sacados do youtube no arrastão, a fina ironia da escrita em dia, a evocação de salgueiro maia no mais astuto, a originalidade da origem das espécies, a escrita certeira da estrada de santiago.

terça-feira, abril 24, 2007

valeu a pena

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valeu a pena? faz-me imensa confusão ouvir hoje em dia certas pessoas falarem do 25 de abril como se tivesse sido um mau acontecimento na história do país. faz-me confusão também todo o folclore institucional que faz desta data a data oficial do actual regime democrático, com toda a pompa e circunstância e respectiva feira de vaidades. faz-me ainda confusão ouvir as novas gerações confundir o 25 de abril, o 1 de dezembro, o 5 de outubro e sabe-se lá que mais. a revolução que depois se chamaria dos cravos apanhou-me prestes a fazer 12 anos. antes disso, nunca em minha casa se tinha falado de política, era perigoso. numa idade propícia a descobertas, descobri que os meus pais eram democratas, descobri que um dos meus vizinhos era informador da p.i.d.e./d.g.s., descobri a sensação do povo em comunhão e a euforia das primeiras manifestações. descobri toda a trágica história da polícia política, das torturas e das deportações.

tenho ideias vagas dos tempos do estado novo. lembro-me de ver o enterro de salazar pela televisão e das "conversas em família". lembro-me de nos rirmos, miúdos, dos pobres soldados apanhados nas malhas da guerra colonial enviando as suas mensagens de feliz natal e ano novo cheio de "propriedades" para toda a família que aguardava coração nas mãos por aquele breve contacto numa qualquer aldeia no interior. era um desfilar de rostos anónimos e cansados, debitando frases com tempo contado. lembro-me dos olhares preocupados dos meus pais à medida que o meu irmão mais velho crescia e se aproximava da idade de ser alistado.

cresci pois em liberdade, na euforia e na ilusão de um país fraterno, justo, livre. de um país culto, de um povo esclarecido, onde não mais haveria fome, onde a justiça social seria uma realidade.

não sei o que é não ter liberdade de expressão, não poder exprimir livremente as minhas ideias e as minhas concepções da vida, do país e do mundo. não sei o que é ter que falar em surdina para comentar a realidade política ou social, viver vergado por um poder que mina toda a sociedade com uma rede infernal de informadores e bajuladores. só por isto, valeu a pena, sim.

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foto de eduardo gageiro, quartel da p.i.d.e, 25 de abril 1974

domingo, março 25, 2007

break on through

"if the doors of perception were cleansed, everything would appear to man as it is, infinite" foi a estes versos de william blake que jim morrison, ray manzarek, robbie krieger e john densmore foram buscar o nome para a banda. em 1967 gravaram o primeiro disco que começava assim. o início de uma carreira meteórica de apenas 4 anos. jim morrison, o rebelde, o poeta, o provocador, o atormentado, morreria em 1971, em circunstâncias nunca esclarecidas. como todos os meteóros e cometas, deixou um rasto de luz no firmamento, que ainda hoje brilha.

portugueses e europeus

1957 deve ter sido um ano giro. primeiro nasceu a r.t.p., depois o gaston lagaffe, depois a futura união europeia, com a assinatura do tratado de roma, faz hoje 50 anos, quando portugal era um país cinzento e sem liberdade, onde o medo andava à solta pelas ruas e onde pensar livremente podia ser fatal. portugal acabou por se juntar ao clube europeu quase 30 anos depois, um portugal renovado politicamente, mas com profundas marcas deixadas pelos anos de ditadura. marcas profundas em termos de organização, em termos de modelos de exercício do poder. a identidade nacional ainda comporta as lesões e cicatrizes deixadas por esses anos de poder absoluto e arbitrário, em que a noção de pátria não era vivida com orgulho, mas por obrigação. não é certamente por acaso que apenas muito recentemente nos reconciliámos, via futebol, com o nosso hino e a nossa bandeira. é normal os povos gostarem do seu hino e da sua bandeira.

somos hoje cidadãos europeus. a mim dá-me alguma segurança saber que não estamos apenas à mercê dos políticos cá do burgo, que numa série de matérias estamos dependentes dos ideais e das directrizes que vêm de bruxelas. o núcleo duro da união europeia é mais civilizado do que portugal. digo isto sem qualquer sombra de dúvida. são povos que valorizam a vida colectiva, com hábitos de serviço comunitário, com vontade de produzir, com orgulho nas realizações do seu povo. não passam a vida com invejas e mesquinhices, a tentar denegrir a imagem dos seus pares, ou a tentar abafar pela maledicência qualquer um que se atreva a ser bom e a aplicar-se naquilo que faz. não passam a vida a servir-se despudoradamente do bem colectivo em vez de servirem o bem colectivo. têm hábitos de rigor e de eficácia. conversam aberta e frontalmente para resolverem os problemas comuns em vez de fingirem que querem resolver os problemas comuns, quando nem sequer se sente interiormente o significado da palavra comum, e apenas se quer resolver problemas particulares.

não se pense que sou daqueles que olham com os olhinhos a brilhar para tudo o que vem de fora. nada disso. tenho orgulho em ser português, tenho orgulho em fazer parte desta história, deste povo. gostava que por uma vez fossemos capazes de dizer "prá frente portugal!" com a mesma alegria que os espanhois dizem "arriba espanha!", gostava que portugal fosse um projecto colectivo, que encarássemos os problemas sociais como problemas nossos, colectivos, que a educação dos nossos jovens, a reabilitação dos nossos deficientes, a fome dos nossos pobres, a qualidade de vida da nossa 3ª idade, fossem encarados como tarefas colectivas e não apenas como responsabilidades das famílias envolvidas directamente. que as cidades fossem construídas e planificadas com vista ao bem estar comum e não à mercê de obscuros interesses imobiliários dessa raça maldita da contrução civil, pessoas a maior parte das vezes sem qualquer formação e transbordando de deformação. que encarássemos as ruas e as praças do nosso bairro como nossas também e que o espaço pelo qual somos responsáveis não acabasse na porta das nossas casas, nos portões dos nossos jardins.

temos ainda tanto para aprender como povo europeu. temos tanto para convergir. as classes dirigentes têm que compreender que dirigir é coordenar, é aproveitar o melhor que cada um dos elementos da equipa tem para dar ao objectivo comum. que chefiar não é encerrar-se num gabinete, rodeado de dois ou três lambe-botas. que a antiguidade não pode ser um posto. que as ideias dos colaboradores não devem ser encaradas como uma ameaça ao exercício da chefia.

convergir, sim, mas não na hora. somos um povo, temos que produzir para o bem estar comum, não somos meros objectos ao serviço da economia. é absurdo que alguns empresários nos queiram voltar a impor a hora central europeia, experiência já tentada e falhada em 1996. não brinquemos com as pessoas e os ritmos biológicos. não obriguemos toda a gente a levantar-se ainda de noite durante o inverno, ou a ter luz do dia depois das 22 horas no verão, só porque isso facilita as transações económicas. a economia tem que estar ao serviço das pessoas, não são as pessoas que têm que estar ao serviço da economia.

domingo, março 11, 2007

50 anos de gaffes


gaston lagaffe fez 50 anos no dia 28 de fevereiro. quer isto dizer que é pouco mais velho que a r.t.p., mas esta efeméride vale a pena ser assinalada. gaston não foi apenas o primeiro anti-herói da b.d. francobelga, não é apenas o terror da redacção da revista spirou, o assumidamente preguiçoso que invariavelmente vira o seu local de trabalho de pernas para o ar. é também uma personagem cheia de ternura, irreverente, irremediavelmente romântico, defensor dos animais até às últimas consequências, amigo fiel, criativo. andré franquin, o seu inspirado autor, dotou-o de uma personalidade complexa, muito para além do trapalhão inconsequente. ao longo de quase 40 anos (o último álbum data de 1996 e o autor morreu no princípio de 1997), franquin deu vida ao seu gaston, transferindo para ele algumas facetas da sua personalidade: o antimilitarismo, a consciência ecológica, a resistência à autoridade. com gaston, franquin inventou ainda um standard da b.d. francobelga: o gag de uma página, que viria a ser seguido por toda uma série de autores e personagens como o achille talon de greg ou o cubitus de dupa. impressionante é a galeria de personagens secundárias, com destaque para o sr. de mesmaeker e os seus eternos contratos, a gaivota e o gato, a eterna apaixonada m.elle jeanne, os compinchas jules e bertrand, o polícia longtarin, os colegas de franquin na revista spirou e inclusivamente o próprio franquin, autoretratado na desenho acima. de mencionar ainda a galeria de invenções com que gaston inferniza a vida dos seus colegas de trabalho, com especial destaque para o incrível gaffophone, um instrumento de cordas capaz de destruir qualquer estrutura de betão com as suas vibrações. gaston alimentou o meu imaginário a partir da adolescência e ainda hoje, relê-lo, é um enorme prazer. visita obrigatória ao site oficial de lagaffe.