para quem não conhece, o olhares é dos melhores sites de fotografia que existem na net. e sim, é português. está recheado de gente que gosta de fotografia, vive fotografia, respira fotografia. embora eu não viva fotografia nem respire fotografia, sempre gostei de brincar com as imagens captadas. fotografias que vou tirando aqui e ali, principalmente em momentos de férias e de relax. o olhares é também uma comunidade muito interessante, em que as fotografias expostas são votadas e comentadas pelos outros utilizadores, criando-se um ambiente bastante amigável e de partilha de experiâncias e dicas. como dizem por lá, é dos poucos sítios onde as pessoas se tornam conhecidas pelo que fazem e não pelo que têm. tudo isto para dizer que me tornei olheiro. sem qualquer pretensão, vou colocando imagens captadas e trabalhadas por mim. a culpa é vossa, dos leitores deste blog, que não comentam as fotografias que de vez em quando coloco aqui... para quem quiser, a minha galeria de olheiro pode ser vista aqui. ainda é pequenina, mas vai crescer. já agora aproveitem e passeiem pelo sítio, porque vale mesmo a pena.
como não sou professor, nem de facto nem de bancada, nesta história da professora, da miúda histérica e do seu telemóvel, que hoje (ontem) dominou grande parte da blogosfera e dos telejornais, há outros aspectos que me interessam. o primeiro é a maneira como o fenómeno se difundiu. primeiro o vídeo foi exposto no youtube pelo colega da histérica que filmou os acontecimentos, depois alguns autores de blogs pegaram no assunto, avisados por e-mail, depois as páginas online dos orgãos de comunicação social, e só no fim as televisões. um circuito cada vez mais frequente, a provar o imenso poder destes dois novos (?) canais de difusão: youtube e blogosfera. o segundo aspecto que me interessa, pelo menos ao sociólogo de bancada que habita em mim, é a enorme quantidade de comentários que os posts sobre o assunto, e as notícia nos sites dos orgãos de comunicação social, geraram. toda a gente teve uma opinião sobre o assunto, toda a gente soube como é que a situação se resolveria, quais os culpados e quais as causas profundas do acontecido. menos eu, que gosto de continuar a cultivar a humildade. em menos de 24 horas, este povo produziu vários milhares de opiniões. a análise detalhada desses comentários, daria uma excelente tese de doutoramento. em sociologia. terceiro aspecto, o vídeo original foi retirado do youtube a meio da tarde pelo aluno que o havia exposto, provavelmente por se ter apercebido do enorme impacto negativo que o fenómeno estava a ter. tarde demais. as imagens já estavam no domínio público e poucos minutos depois já o vídeo estava reposto em pelo menos 10 localizações do youtube, nos videos sapo e em várias páginas dos media. o que prova que uma vez exposta uma imagem na rede, ela se torna virtualmente inapagável. admirável e fascinante mundo novo.
só para lembrar que estão a votos até ao fim do mês os nomeados para os plug awards deste ano (que é como quem diz, música indie editada durante o ano passado). façam favor de cumprir o vosso dever de internautas e votar aqui.
em menos de uma semana, este vídeo tomou conta do youtube. mais de 5 milhões de visionamentos, mais de 50 youtubers apresentam-no no seu canal. will.i.am (black eyed peas) pegou nas palavras de barack obama e transformou-as em música, o slogan yes we can transformado em refrão. jesse dylan, filho de bob dylan, realizou o vídeo. mais uma prova da dinâmica de esperança e renovação que a candidatura de obama representa. quem, como eu, no início do ano pensava que estas eleições norteamericanas não trariam nada de substancial para além da possibilidade de ser uma mulher a ocupar o cargo de presidente dos estados unidos, enganou-se rotundamente. a candidatura de barack obama é, seja ele ou não o candidato democrata à casa branca, o facto mais importante e surpreendente destas eleições, aquele que aponta pistas para o futuro.
e nós por cá, entre o sócrates e o menezes... (suspiro)
It was a creed written into the founding documents that declared the destiny of a nation. Yes we can. It was whispered by slaves and abolitionists as they blazed a trail toward freedom. Yes we can. It was sung by immigrants as they struck out from distant shores and pioneers who pushed westward against an unforgiving wilderness. Yes we can. It was the call of workers who organized; women who reached for the ballots; a President who chose the moon as our new frontier; and a King who took us to the mountaintop and pointed the way to the Promised Land. Yes we can to justice and equality. Yes we can to opportunity and prosperity. Yes we can heal this nation. Yes we can repair this world. Yes we can. We know the battle ahead will be long, but always remember that no matter what obstacles stand in our way, nothing can stand in the way of the power of millions of voices calling for change. We have been told we cannot do this by a chorus of cynics...they will only grow louder and more dissonant ........... We've been asked to pause for a reality check. We've been warned against offering the people of this nation false hope.But in the unlikely story that is America, there has never been anything false about hope. Now the hopes of the little girl who goes to a crumbling school in Dillon are the same as the dreams of the boy who learns on the streets of LA; we will remember that there is something happening in America; that we are not as divided as our politics suggests; that we are one people; we are one nation; and together, we will begin the next great chapter in the American story with three words that will ring from coast to coast; from sea to shining sea -- Yes. We. Can.
:: Jesse Dylan, Will.i.am, Common, Scarlett Johansson, Tatyana Ali, John Legend, Herbie Hancock, Kate Walsh, Kareem Abdul Jabbar, Adam Rodriquez, Kelly Hu, Adam Rodriquez, Amber Valetta, Eric Balfour, Aisha Tyler, Nicole Scherzinger and Nick Cannon ::
não foram a banda mais criativa de 2007, mas foram certamente a banda que melhor soube explorar as novas possibilidades de exposição oferecidas pela internet. os radiohead passaram o final do ano a abrir caminhos para o futuro da indústria musical e do relacionamento entre músicos e público. o lançamento por download, a 10 de outubro, de in rainbows, traduziu-se em milhão e meio de descargas nos dois primeiros dias. depois veio o webcast com covers de björk, new order e smiths, que deixou os fans em delírio. para fechar o ano em grande, os radiohead colocam a versão física de in rainbows nas lojas no dia 31 e abrem 2008 com novo webcast (prégravado, com cerca de 1 hora) a ser emitido via net a partir das 5 horas portuguesas do dia 1. para quem estiver interessado, vai passar aqui. por tudo isto, os radiohead integram as listas do und3rblog na categoria de "melhor banda na rede". entretanto começam já a circular os primeiros clips de in rainbows. jigsaw falling into place, realizado por adam buxton.
já se sabe há uns dias, o novo dos radiohead estará disponível para download a partir do dia 10. a encomenda pode ser feita numsitecriado especificamente para o efeito, e o freguês só paga o que quiser. disco, no sentido físico da questão, só a partir do dia 3 de dezembro, anunciando-se uma caixa com diversos suportes, incluindo o vinil. as encomendas fazem-se no mesmo sítio. a maior parte do material são canções que os radiohead já ensaiaram ao vivo, parte delas com alguns anos de existência. a rolling stone faz uma"preview" faixa a faixa, com recurso a vídeos retirados do youtube. só boas notícias.
eu sei que estas coisas são principalmente simbólicas e não mudam o curso da história, funcionam mais como um alívio das nossas consciências e preenchem a nossa necessidade de sermos solidários, mas não podia deixar de aderir e divulgar.
durante a minha ausência da blogosfera, a cidadã maria publicou umareflexão sobre a internet e a blogosfera como espaços de liberdade criativa e de expressão, que merece todo o destaque. não pilho o post por inteiro devido à sua extensão, o texto e alguns comentários que foram ali produzidos merecem uma leitura atenta. obrigado, maria, por mais um texto irrepreensível.
a internet como veículo de divulgação de projectos estéticos e partilha da beleza criativa do bicho-homem. digital show é um site de exposições de arte digital internacional online. dois álbuns: "liverpool biennial 2006" e "futuresonic 2007 - psychedelia" guardam 300 obras de artistas dos mais variados países,que podem ser vistas em diversos tamanhos. estas 11 são apenas uma pequena selecção, um chamariz, por isso aqui ficam sem título e sem referência de autor. as exposições podem ser vistas aqui. boa viagem.
. não se trata dum google gótico ou rendido às práticas satânicas, são efeitos da blogosfera. um post publicado algures num blog em janeiro deste ano chamava a atenção para o facto de que um ecran de fundo negro poupa energia em relação a um de fundo branco. além disso, fazia as contas em relação à poupança que se faria se o google funcionasse com fundo negro. pegando na deixa, a heap media, uma empresa australiana, propôs à google o desenvolvimento desse motor de busca. foi assim que surgiu o blackle, que usa o mesmo motor que o google, mas com um layout escuro. mesmo que a poupança pareça irrisória em cada utilização, multiplicando pelos milhões de utilizações diárias, o resultado expressa-se em muitos megawatts. experimentemaqui. é verdade que ainda há algumas funcionalidades que não estão disponíveis, como a pesquisa em língua portuguesa, mas a ideia parece-me bastante interessante, até porque eu próprio já a tinha posto em prática utilizando um layout escuro para este und3rblog. imaginem o desperdício que seria se os milhões de leitores deste blog se deparassem com um ecran de fundo branco em vez deste belo tom antracite.
deixemo-nos de tretas, o live earth foi um acontecimento para ser seguido na net e ponto final. na net, podiamos saltar de palco para palco, ver o que nos interessava e sermos poupados ao desfile de estrelas, estrelinhas e serpentinas com que a rtp nos agraciou. é verdade que eles não controlavam os tempos de emissão em directo, mas a maratona televisiva foi uma merda. assim, sem tirar nem pôr uma letra. a maior parte dos convidados foi desinteressante, não disse uma frase que se aproveitasse, os apresentadores foram desinteressantes, com excepção da silvia alberto, que por uma ou duas vezes tinha tido razões mais que suficientes para fulminar o malato em directo. ninguém lhe levaria a mal. na net é que se esteve bem, como, aliás, já se vem tornando hábito.
no futuro, ela será relembrada como tendo sido a primeira. hillary clinton usou a internet para fazer oanúncio da sua candidaturaàs eleições presidenciais de 2008 nos e.u.a., preterindo assim os habituais meios de comunicação. momento histórico, sem dúvida. pessoalmente, também gostava que ela ficasse para a história como a primeira mulher a assumir a presidência da grande potência, mas nisso eu não posso participar. injustamente! se todo o mundo tem que levar com o presidente dos estados unidos, porque é que não votamos todos também?
agora que já passou aquele fascínio inicial pela blogosfera, em que cada blog com um post interessante era para colocar na barra lat3ral, fiz hoje a sua primeira depuração. o que levou as minhas congeminações em direcção à blogosf3ra em si. este melting pot virtual, este lugar onde todos nos encontramos, que nos permite escolher e depurar interlocutores sem qualquer constrangimento social. eleminamos um blog da barra lat3ral, cortamos um canal de comunicação directa, com uma ligeireza que dificilmente usaríamos se se tratasse de alguém com quem trabalhamos ou com quem somos obrigados a sociabilizar por qualquer razão. e sem remorsos. depuramos assim o nosso espaço e as nossas ligações, mantemos a higiene.
atrevo-me a dizer que a maior vantagem da blogosf3ra é pôr em comunicação indivíduos com afinidades da mais variada ordem. todos nós temos as nossas tribos. pessoalmente prefiro universos intimistas. pessoas que vivem com um pé na terra e usam o monitor como espelho de alice. artistas partilhando descomplexadamente a sua criatividade. mentes inquietas que ainda não desistiram de questionar o mundo e o homem. pessoas sem certezas absolutas.
a lusoblogosf3ra político-social está completamente contaminada com a questão do referendo que se avizinha. os blogs pelo sim, os blogs pelo não. a cada post, comentários acirrados, que dariam origem a cenas de bengalada, acaso estivéssemos na praça pública dos inícios do século passado. todos com certezas absolutas, convicções até às entranhas, como se a questão fosse linear. a palavra chave da pergunta, a despenalização, já quase desapareceu dos debates, ficaram apenas o sim e o não. e ainda falta quase um mês.
as tribos são transversais. dentro delas, não falamos todos a mesma língua, partilhamos a mesma linguagem.