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segunda-feira, dezembro 31, 2007

se não os podes vencer, junta-te a eles #5

categoria "melhor blog fotográfico individual". gatilho, publicado pela k. gosto de visitar o gatilho, as fotografias são "pequenos" olhares sobre a arte e os ambientes urbanos. arte de rua, servida em excelentes enquadramentos.

























quarta-feira, dezembro 12, 2007

somos uma espécie admirável

sempre vivi este dilema entre o encanto e o desencanto com o bicho-homem, a sua essência, o seu ser biológico, capaz do melhor e do pior. acabámos por criar complexas redes de organização em grupo, tribos que se entrelaçam com outras tribos, que partilham o habitat embora não partilhem muitos dos comportamentos. uma verdadeira inovação biológica. tão complexa é a nossa organização em grupos, e tão interdependente, que os grandes agrupamentos humanos contêm verdadeiras tensões em relação ao rumo do todo e ao (des)equilíbrio de forças entre tendências opostas ou transversais. o sistema, no fundo, somos nós todos, ninguém o controla, ninguém o define. segue o percurso resultante da soma de todos os vectores individuais. pode parecer estranho, mas isto vem a propósito do natal. ou melhor será dizer: isto vem também a propósito do natal. o mesmo encanto e o mesmo desencanto que referi acima. talvez poucos pensem nisso, mas esta é uma época de verdade, com inspiração nos sentimentos mais nobres e mais elevados de que somos capazes enquanto espécie. jesus, o homem que realmente existiu, que nasceu mais coisa menos coisa há pouco mais de dois mil anos, era um homem bom, justo, verdadeiro, conhecedor da nossa essência. sabia que para continuarmos a viver em grupo temos que domar o predador que há em nós. e nós somos uma espécie auto-predatória, uma das únicas de que há registo. jesus, dizia eu, passou à história como símbolo dos sentimentos mais puros e mais nobres de que somos capazes. e das acções também. é isto que deviamos estar a celebrar agora. o nosso lado mais luminoso, a inspiração que faz com que persigamos ideais de justeza, de solidariedade, de futuro partilhado. hoje não me vou queixar de todos os absurdos da realidade e não vou dizer o que está mal nesta maneira que engendrámos para festejar o natal. nem vou protestar contra os contornos quase pornográficos do apelo ao consumo desenfreado. quero continuar a sentir a magia infantil que olha para as luzes espalhadas pelas ruas das cidades com fascínio absoluto. somos, realmente, uma espécie admirável.

quinta-feira, julho 19, 2007

here we go again

eles já estão a chegar, até domingo vai ser assim. num raio de 30 km, não há sítio nenhum que não seja invadido pela tribo motard. durante 4 dias, faro quase duplica a sua população, dia e noite um zumbido de fundo que se ouve em qualquer ponto da cidade e arredores. uma verdadeira cidade de campanha com capacidade para 40.000 pessoas, hospital, vários palcos, uma logística impressionante assegurada por mais de 1.000 voluntários. a concentração internacional de motos já está perfeitamente integrada na vida da urbe, que este ano até lhes vai dedicar um monumento numa das suas principais avenidas. na verdade até é acarinhada pela população, que já sabe que de "feios, porcos e maus" a tribo tem mais aspecto do que substância. here we go again. durante 4 dias, meus amigos, esta cidade deixa de ser faro e passa a faroeste. enfim, folclore.

domingo, julho 08, 2007

festa na aldeia

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ontem houve festa na aldeia. duas festas, para ser mais preciso. quero desde já deixar bem expresso o meu desagrado por termos sido vítimas de um logro. disseram por aí que o dia 07/07/07 ia ser o dia em que lisboa seria o centro da aldeia, com a festa das 7 maravilhas, mas depois os americanos e os ingleses, cheios de inveja, inventaram à pressa uma festa nos seus bairros, só para estragar a festa de lisboa. ainda por cima disfarçaram a coisa convidando outros bairros, de maneira a que lisboa passasse perfeitamente despercebida. duas festas globais. uma dedicada ao património cultural edificado, que nos foi deixado pelas gerações passadas, outra dedicada ao património natural, muito mais antigo, e muito mais necessário para as gerações futuras. não é de estranhar, pois, que uma tenha sido uma festa televisiva clássica, enquanto que a outra foi principalmente um net-event, que a rtp tentou, mal e porcamente, acompanhar. falou-se muito, blá blá blá, ficamos a saber quais as estrelas do nosso bairro que fecham a água quando têm shampoo nos olhos, quem é que separa as garrafas de cerveja das latas de cerveja. de repente toda a gente tinha uma dica para dar.

a festa das maravilhas, foi um bocado para o pirosa, com aquela gente quase toda a cantar em playback. alguém devia avisar o josé carreras que não tem jeito nenhum para a coisa. houve uns efeitos giros, tipo cerimónia dos jogos olímpicos, o fogo de artifício que se impunha e o anúncio das maravilhas, as do bairro e as da aldeia. as do bairro até foram bem distribuídas (é para estas coisas que serve a ironia). 6 para a região de lisboa e uma para o berço da nacionalidade. 3 mosteiros, 2 castelos, 1 palácio e 1 anexo que ninguém sabe bem para o que serve ou serviu. já as da aldeia, ficaram bem espalhadas. concordo perfeitamente com o taj mahal e com petra, com a muralha que se vê do espaço e com machu-pichu, até com o coliseu e a outra pirâmide do méxico, mas o crucifixo do rio de janeiro... é que não tem nada a ver! então e as estátuas da ilha da páscoa? então e o alhambra?

a festa do planeta foi um bocado confusa. muito sinceramente, não vi consciência ecológica nenhuma. até a minha filha de 13 anos reparou que os gajos estavam a gastar bué da energia. já se calculou o impacto negativo que este live earth teve no efeito de estufa? as emissões de co2 devem ter sido qualquer coisa! foram 24 horas de luta (lá está ela outra vez, a ironia). para ser uma coisa a sério, deveriam ter feito como nos encontros da rainbow family of the living light. enormes concertos acústicos à luz de fogueiras. passei o tempo a tentar perceber até que ponto os figurões, os do bairro e os da aldeia, estavam ali por acreditarem verdadeiramente e estarem dispostos a participar numa mudança de atitudes e de hábitos, ou apenas a promoverem o figurino que os embrulha. ao menos nesta parte, a festa das maravilhas foi mais autêntica. era figurino e ponto, sem complexos nem falsas consciências. e depois, o al gore não é o bob geldof, o planeta agonizante não é tão apelativo como as crianças pretinhas agonizantes e com moscas nos olhos, e a coisa não tem piada sem o bono, que é o gajo mais porreiro da aldeia.

foto: full moon party at the rainbow gathering of the tribes, croatia, 2004, pilhada daqui

sexta-feira, março 23, 2007

parkour e yamakasi

levar mais longe as capacidades do corpo e da mente. o parkour, ou arte da deslocação, criado pelo francês david belle, quando tinha apenas 15 anos e a partir dos ensinamentos do seu pai, raymond belle, antigo combatente francês no vietname, que por sua vez, com outros soldados franceses, tinha criado o "parcours du combattant" inspirado no "método natural de cultura física" de georges hébert, desenvolvido nos inícios do século 20. o objetivo do parkour é mover-se do ponto A para o ponto B da maneira mais eficiente e rápida possível, usando as habilidades do corpo humano. os seus praticantes (traceurs) não o consideram um desporto radical, assemelham-no mais a uma arte marcial. a característica principal nesta arte, está na sua eficácia. um traceur não só se move o mais rápidamente possível, mas de maneira a gastar o mínimo de energia e evitar lesões a curto e longo prazo. o yamakasi deriva do parkour, mas acrescenta-lhe a componente estética e espectacular, introduzindo mortais e piruetas na sua prática. antes dos percursos urbanos, o traceur precisa de um treino intensivo em ginásio e em segurança. nada se faz de improviso, a parte teórica da coisa está perfeitamente estabelecida. escapar e chegar, são as duas noções chave do parkour. sem dúvida, um dos aspectos mais fascinantes da moderna cultura urbana.

sábado, janeiro 13, 2007

da blogosf3ra

agora que já passou aquele fascínio inicial pela blogosfera, em que cada blog com um post interessante era para colocar na barra lat3ral, fiz hoje a sua primeira depuração. o que levou as minhas congeminações em direcção à blogosf3ra em si. este melting pot virtual, este lugar onde todos nos encontramos, que nos permite escolher e depurar interlocutores sem qualquer constrangimento social. eleminamos um blog da barra lat3ral, cortamos um canal de comunicação directa, com uma ligeireza que dificilmente usaríamos se se tratasse de alguém com quem trabalhamos ou com quem somos obrigados a sociabilizar por qualquer razão. e sem remorsos. depuramos assim o nosso espaço e as nossas ligações, mantemos a higiene.

atrevo-me a dizer que a maior vantagem da blogosf3ra é pôr em comunicação indivíduos com afinidades da mais variada ordem. todos nós temos as nossas tribos. pessoalmente prefiro universos intimistas. pessoas que vivem com um pé na terra e usam o monitor como espelho de alice. artistas partilhando descomplexadamente a sua criatividade. mentes inquietas que ainda não desistiram de questionar o mundo e o homem. pessoas sem certezas absolutas.

a lusoblogosf3ra político-social está completamente contaminada com a questão do referendo que se avizinha. os blogs pelo sim, os blogs pelo não. a cada post, comentários acirrados, que dariam origem a cenas de bengalada, acaso estivéssemos na praça pública dos inícios do século passado. todos com certezas absolutas, convicções até às entranhas, como se a questão fosse linear. a palavra chave da pergunta, a despenalização, já quase desapareceu dos debates, ficaram apenas o sim e o não. e ainda falta quase um mês.

as tribos são transversais. dentro delas, não falamos todos a mesma língua, partilhamos a mesma linguagem.