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sábado, abril 26, 2008

rábula do dia 26 de abril de 2018

liberdade, pois, mas as nossas sociedades apresentam-nos agora desafios que não se colocavam em 1974. aos poucos vamos trocando a liberdade pela segurança. com o advento do trusted computing, que algumas empresas de informática se preparam para introduzir no mercado daqui a 2 ou 3 anos, e com o cruzamento das bases de dados, não me parece que esta rábula, que recebi por e-mail, seja de todo impossível daqui a 10 anos. novos desafios para quem acredita na liberdade como valor a defender.



- telefonista: telepizza, boa noite!

- cliente: boa noite, quero encomendar pizzas...

- telefonista: pode dar-me o seu n.i.n.?

- cliente: sim, o meu número de identificação nacional é o 6102 1993 8456 5463 2107.

- telefonista: obrigada, sr. lacerda. o seu endereço é na avenida paes de barros, 19, apartamento 11, e o número do seu telefone é o 21549 4236, certo? o telefone do seu escritório na liberty seguros, é o 21 574 52 30 e o seu telemóvel é o 96 266 25 66, correcto?

- cliente: como é que conseguiu todas essas informações?

- telefonista: porque estamos ligados em rede ao grande sistema central.

- cliente: ah, pois, é verdade! quero encomendar duas pizzas: uma quatro queijos e outra calabresa...

- telefonista: talvez não seja boa ideia...

- cliente: o quê...?

- telefonista: consta na sua ficha médica que o senhor sofre de hipertensão, diabetes e tem a taxa de colesterol muito alta. além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a saúde.

- cliente: claro! tem razão! o que é que sugere?

- telefonista: por que é que não experimenta a nossa pizza superlight, com tofu e rabanetes? o senhor vai adorar!

- cliente: como é que sabe que vou adorar?

- telefonista: o senhor consultou a página 'receitas gulosas com soja' da biblioteca municipal, no dia 15 de janeiro, às 14:27 e permaneceu ligado à rede durante 39 minutos. daí a minha sugestão...

- cliente: ok, está bem! mande-me então duas pizzas tamanho familiar!

- telefonista: é a escolha certa para o senhor, a sua esposa e os vossos quatro filhos, pode ter a certeza.

- cliente: quanto é?

- telefonista: são 49,99.

- cliente: quer o número do meu cartão de crédito?

- telefonista: lamento, mas o senhor vai ter que pagar em dinheiro. o limite do seu cartão de crédito foi ultrapassado.

- cliente: tudo bem. posso ir ao multibanco levantar dinheiro antes que cheguem as pizzas.

- telefonista: duvido que consiga. a sua conta à ordem está com o saldo negativo.

- cliente: meta-se na sua vida! mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. quando é que entregam?

- telefonista: estamos um pouco atrasados. serão entregues em 45 minutos. se estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na sua moto não seja lá muito aconselhável. além de ser perigoso...

- cliente: mas que história é essa? como é que sabe que eu vou de moto?

- telefonista: peço desculpa, mas reparei aqui que não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. mas a sua moto está paga e então pensei que fosse utilizá-la.

- cliente: chiça.......!!!!!!!!!

- telefonista: gostaria de pedir-lhe para não ser mal educado... não se esqueça de que já foi condenado em Julho de 2006 por desacato em público a um agente da autoridade.

- cliente: (silêncio).

- telefonista: mais alguma coisa?

- cliente: não. é só isso... não. espere... não se esqueça dos 2 litros de coca-cola que constam na promoção.

- telefonista: lamento, mas o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 095423/12, proíbe a venda de bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...

- cliente: aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! vou atirar-me pela janela!!!!!

- telefonista: (ri-se) e torcer um pé? não se esqueça que o senhor mora no rés-do-chão...!

sexta-feira, abril 25, 2008

sempre!

recolha de imagens para avivar a memória. tanto que crescemos, que aprendemos, que evoluímos. só a liberdade nos permitiu este percurso, por vezes feito aos tropeções. liberdade para tropeçar, para cair, para levantar e continuar o caminho. para sonhar, para acreditar. para construir, organizar, melhorar. para instruir. para participar. para criar e reciclar. para contestar e criticar. para sorrir, para sentir. para pensar e opinar. para viver e não esquecer. nunca esquecer. como era, como foi e como não queremos que volte a ser, viver sem liberdade.


25a scratch (nell'assassin no largo do carmo)




não, não e não




revolucionês 1




revolucionês 2




revolucionês 3




now we want the real democracy



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segunda-feira, abril 07, 2008

novos símbolos olímpicos #2

e ainda faltam alguns meses... entretanto, em paris, a chama olímpica teve que ser apagada por motivos de segurança. depois dos incidentes de londres, ontem, e de paris, o périplo da chama olímpica pelos cinco continentes, arrisca-se a deixar um rasto de detenções de activistas pró-direitos humanos. em maio, passará pelo tibete.

staphanne peray



autor não identificado

segunda-feira, março 17, 2008

domingo, janeiro 20, 2008

e você? já tem o seu certificado de qualidade?

genial luís afonso no público de hoje. no cartaz pode ler-se "atenção cidadãos: devem certificar-se que estão dentro dos parâmetros standard antes de se submeterem ao controlo de qualidade. não nos responsabilizamos por eventuais danos físicos ou psicológicos". é assim que o sistema nos quer, todos direitinhos, perfilados, iguaizinhos, consumindo as mesmas coisas, obedientes e contentes. a esses, os cidadãos normalizados, o sistema recompensa, oferecendo-lhes uma vida préprogramada e dando-lhes um certificado de qualidade. a massa amorfa que deve produzir sem questionar e consumir sem questionar também. em nome do santo crescimento da economia (que é como quem diz, do crescimento dos ganhos dos donos do dinheiro). da defesa dos tradicionais valores ocidentais: liberdade (para consumir), igualdade (no consumo), fraternidade (todos de mãos dadas a consumir). os outros, os não normalizados, ficam por sua própria conta e risco, à margem, logicamente. lesões físicas ou psicológicas? paciência, tivessem aceitado a normalização.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

palavras

palavras. apetecia-me encher este blog de palavras. as palavras com que penso, as palavras com que me rio de um mundo que não consigo levar a sério para não transportar aos ombros todo o peso que uma reflexão séria acarretaria. uma reflexão sobre o homem, esse bicho maldito que recusa a sua condição de bicho, maravilha e aberração. temos que ser assim? cegos, não enxergando um palmo à frente do nosso umbigo?
palavras. apetecia-me encher este blog com todos os pensamentos que me ocorrem nos momentos mais inesperados do dia. mesmo os mais inconfessáveis, para lavar os cantos mais recondidos do meu eu. os mais calorosos, para gritar ao mundo que sou ser sensível e que canto, que rio, me maravilho, mas também choro. abrir as mãos em torrente e deixar escorrer sobre o teclado toda a complexidade que cabe dentro de um ser humano, que se preocupa em ser e manter-se apenas, também e principalmente isso: humano.
mas a blogosfera é espaço de bicho-homem, com todas as vicissitudes e toda a feira de vaidades que a criatura sempre arrasta atrás de si. e temos que compor a personagem que por
aqui habita. não se anda nu na blogosfera, como não se anda nu fora dela. ensaiam-se poses, práticas, defendem-se imagens, retocam-se posturas. mesmo assim, apetecia-me encher este blog de palavras.

quinta-feira, dezembro 27, 2007

1953 - 2007

benazir butto foi hoje assassinada a sangue frio por um louco que se fez explodir depois dos disparos, arrastando consigo mais duas dezenas de vidas. e agora? bush tem razões para se mostrar preocupado. e se o conselho de segurança das nações unidas se reune de emergência, quem sou eu para não ficar preocupado também. acendeu-se um rastilho, resta saber a dimensão dos estragos. era previsível, também. previsível à luz das lógicas absurdas que continuam a dominar esta nossa existência de bichinhos estúpidos. deixo o trabalho de enunciar as imensas qualidades desta mulher a quem estiver para aí virado, os defeitos rapidamente serão esquecidos. temos novo mártir para homenagear.

domingo, outubro 28, 2007

descubra a diferença

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as imagens que se reproduzem acima têm uma diferença. além das óbvias diferenças de ampliação e de gama de cores, a imagem do direita foi manipulada por uma revista francesa de grande circulação. a fotografia da esquerda foi a que foi captada pela objectiva do fotógrafo, a da direita a que foi publicada e vista por muitos milhares de cidadãos franceses. a diferença é subtil. se observarem bem, na foto da direita falta o pneu de banha logo acima do cós dos calções de sarko. modificando uns pixels, prolonga-se o negro do encosto lombar e redesenha-se a silhueta de sua excelência o presidente da república francesa. a necessidade de vender políticos aplicando as leis de formatação social da publicidade e da manipulação de massas está para ficar. redesenham-se silhuetas da mesma maneira que se acentuam texturas e nuances cromáticas labiais em anúncios onde se quer evidenciar os sinais biológicos do desejo feminino. a grande diferença está nos contornos morais da(s) questão(ões). se manipular para aumentar as vendas de um produto com vista ao aumento dos lucros é relativamente aceitável, e o funcionamento do mercado torna inquestionável, vender políticos já apresenta contornos morais mais que duvidosos. a exploração, por parte dos acessores de imagem, de factores de adesão subliminares, não é novidadade no mundo da política. A fotografia oficial do candidato há muito que é retocada, estudada ao pormenor, e as possibilidades de manipulação da imagem oferecidas pelas aplicações informáticas são ferramenta utilizada frequentemente na optimização do produto final. mas perante isto, torce-se o nariz, não se concorda muito, mas passa-se à frente. a passagem dessa manipulação para a imprensa é que já é mais preocupante. um sinal dos tempos, sem dúvida. tempos em que a actividade política serve interesses dissimulados, para não dizer obscuros, e em que o cidadão, o eleitor, é encarado como matéria moldável. até que ponto é que somos livres?

terça-feira, outubro 09, 2007

o triunfo dos porcos

José Rodrigues dos Santos foi suspenso de funções e será alvo de um processo disciplinar para o seu despedimento. Em causa estão as declarações do pivot numa entrevista ao 'Público' e um artigo publicado no 'Diário de Notícias' sobre o tempo em que foi director de informação da RTP e as interferências governamentais no canal do Estado.

rodrigues dos santos disse apenas o que todos já sabíamos. a administração da r.t.p. confirma, ao tomar esta posição. quem fôr muito tapadinho que acredite nessa história da carochinha da vitimização e da necessidade de protagonismo. e eu pergunto: não estão fartos desta gente cinzenta a tomar-nos por parvos e a tapar o sol com a peneira?

quinta-feira, outubro 04, 2007

um post pela birmânia




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Free Burma!



(clique na imagem)

é já hoje

Free Burma!
(clique na imagem)


eu sei que estas coisas são principalmente simbólicas e não mudam o curso da história, funcionam mais como um alívio das nossas consciências e preenchem a nossa necessidade de sermos solidários, mas não podia deixar de aderir e divulgar.

segunda-feira, setembro 03, 2007

citizen mary strikes again

durante a minha ausência da blogosfera, a cidadã maria publicou uma reflexão sobre a internet e a blogosfera como espaços de liberdade criativa e de expressão, que merece todo o destaque. não pilho o post por inteiro devido à sua extensão, o texto e alguns comentários que foram ali produzidos merecem uma leitura atenta. obrigado, maria, por mais um texto irrepreensível.

segunda-feira, junho 25, 2007

cidadão strikes back

numa sociedade cada vez mais agressiva economicamente, as técnicas de marketing directo têm evoluído duma forma quase absurda, constituindo actualmente autênticas invasões de privacidade. às horas mais impróprias, as empresas sentem-se no direito de telefornar-nos para casa e tentarem impingir-nos os seus produtos. as campeãs, pelo menos por estas paragens, parecem ser a portugal telecom e a tv cabo, se bem que os cartões de crédito se tenham vindo a esforçar arduamente para atingir o lugar cimeiro da tabela. igualmente, as caixas de correio são alvo sistemático de ataque, toneladas e toneladas de papel, algum da melhor qualidade, que vão directamente para reciclar, pelo menos cá em casa. às vezes tenho a impressão de que olham para mim, apenas como se fosse um conta bancária, obrigada a esvaziar-se para sustentar todo um mundo desumanamente absurdo. digo sempre que não estou interessado, com maior ou menor delicadeza conforme a disposição. como cidadãos actuantes e fazendo parte integrante da sociedade temos uma palavra a dizer e, porque não, trocarmos as voltas à lógica do sistema. duas dicas recebidas por e-mail podem ter alguma eficácia. para marketing telefónico, dizer apenas "um momento por favor" e irmos à nossa vida, deixando o telefone fora do descanso. deixarmos a empresa que nos telefonou gastar o máximo possível. para marketing via correio, particularmente para aquelas empresas que nos enviam um envelope rsf, é devolver o envelope, mas sem subscrever o serviço que nos tentam impingir. a empresa paga os portes, sem nenhum benefício. podemos dar largas à nossa imaginação e enviar nesses envelopes o folheto da pizzaria, publicidade recebida de outras empresas, tampas de iogurtes, lixo variado.

terça-feira, abril 24, 2007

valeu a pena

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valeu a pena? faz-me imensa confusão ouvir hoje em dia certas pessoas falarem do 25 de abril como se tivesse sido um mau acontecimento na história do país. faz-me confusão também todo o folclore institucional que faz desta data a data oficial do actual regime democrático, com toda a pompa e circunstância e respectiva feira de vaidades. faz-me ainda confusão ouvir as novas gerações confundir o 25 de abril, o 1 de dezembro, o 5 de outubro e sabe-se lá que mais. a revolução que depois se chamaria dos cravos apanhou-me prestes a fazer 12 anos. antes disso, nunca em minha casa se tinha falado de política, era perigoso. numa idade propícia a descobertas, descobri que os meus pais eram democratas, descobri que um dos meus vizinhos era informador da p.i.d.e./d.g.s., descobri a sensação do povo em comunhão e a euforia das primeiras manifestações. descobri toda a trágica história da polícia política, das torturas e das deportações.

tenho ideias vagas dos tempos do estado novo. lembro-me de ver o enterro de salazar pela televisão e das "conversas em família". lembro-me de nos rirmos, miúdos, dos pobres soldados apanhados nas malhas da guerra colonial enviando as suas mensagens de feliz natal e ano novo cheio de "propriedades" para toda a família que aguardava coração nas mãos por aquele breve contacto numa qualquer aldeia no interior. era um desfilar de rostos anónimos e cansados, debitando frases com tempo contado. lembro-me dos olhares preocupados dos meus pais à medida que o meu irmão mais velho crescia e se aproximava da idade de ser alistado.

cresci pois em liberdade, na euforia e na ilusão de um país fraterno, justo, livre. de um país culto, de um povo esclarecido, onde não mais haveria fome, onde a justiça social seria uma realidade.

não sei o que é não ter liberdade de expressão, não poder exprimir livremente as minhas ideias e as minhas concepções da vida, do país e do mundo. não sei o que é ter que falar em surdina para comentar a realidade política ou social, viver vergado por um poder que mina toda a sociedade com uma rede infernal de informadores e bajuladores. só por isto, valeu a pena, sim.

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foto de eduardo gageiro, quartel da p.i.d.e, 25 de abril 1974