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sexta-feira, junho 20, 2008

und3rmuzik #17 we carry on

mais uma de third dos portishead. vício entranhado.




the taste of life
i can't describe
it's chocking on my mind
reaching out i can't believe
faith it can't decide

on and on i carry on
but underneath my mind
and on and on i tell my self
it's this i can't disguise

oh can't you see
holding on to my heart
i bleed the taste of life

the pace, the time,
i can't survive
it's grinding down the view
breaking out which way to choose
a choice i can't renew

holding on i carry on
but underneath my mind
and on and on i tell myself
it's this i can't disguise

oh can't you see
holding on to my heart
i bleed, no place is safe
can't you see the taste of life

quinta-feira, junho 19, 2008

sai uma dose de prozac para aquele país lá ao fundo da europa

adeus euro, adeus scolari. amanhã o país vai acordar e lembrar-se da crise, dos preços dos combustíveis e dos alimentos, de toda a realidade que é deixada para trás de cada vez que a selecção tem êxito. vai ser um país de ressaca, tristonho e acabrunhado, sem fé no futuro nem nos políticos. sem força para dar a volta por cima. o ano escolar a acabar, este tempo de verão que convida à preguiça, a silly season a começar (sim, eu sei que neste país nunca acaba). como será possível pôr este país a produzir? modernizá-lo, trazê-lo para o vigésimo primeiro século da era cristã, actualizá-lo? esta semana o meu filho mais velho fez exame de português para acesso ao ensino superior. a prova de exame serve de exemplo do que uma certa intelectualidade atávica representa. camões, memorial do convento e padre antónio vieira. passado, passado, passado. as glórias dos descobrimentos, as glórias dos descobrimentos. já sei que me vão dizer que camóes é importantíssimo, que o memorial do convento é uma obra esplêndida e que vieira foi um humanista de se lhe tirar o chapéu. mas eu vejo as coisas de outra maneira. enquanto a cultura portuguesa de maior relevo não for a actual, enquanto o orgulho pátrio não for no país que temos agora, no povo que somos agora, bem podemos protestar contra a crise, dizer que a culpa é sempre dos outros, que nunca sairemos dela. bem podemos ficar à espera do cadáver pútrido do d. sebastião que um dia chegará numa manhã poluída. sair dos gabinetes e vir para o terreno, acabar com o sucesso fácil e momentâneo, com as vaidades e ostentações sociais, com o cada vez maior fosso entre os que muito têm e os que não têm quase nada, olharmos uns para os outros, olhos nos olhos, e sentirmo-nos parte de um povo , de uma sociedade, de uma comunidade, essa é a difícil tarefa que temos pela frente. arregaçar as mangas e trabalhar, organizar, produzir mais com menos esforço. marcar mais golos com menos tempo de posse de bola e com menos floreados. jogadas certeiras e organizadas. é assim que se ganham os jogos.

quarta-feira, junho 18, 2008

quinta-feira, junho 05, 2008

excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #6

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Photobucket

sábado, 24 de maio de 2008


os mastros dos grandes veleiros estão iluminados como se fossem os pináculos de uma grande catedral erguida em honra do deus neptuno. tal como o mar, esta é uma catedral em permanente mutação. de dia para dia as colunas mudam, umas desaparecem durante o dia, afastam-se no horizonte, novas chegam para renovar a arquitectura do edifício. tirando as colunas, todo o corpo da catedral é etéreo, imaginário, volátil, como a vida.


fotografia de nélio filipe

quarta-feira, maio 21, 2008

até já

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nos próximos dias vou andar por aqui.

quinta-feira, maio 15, 2008

gente vulgar

VIII

inácio sempre sonhou com uma vida perfeita, mas, por força da educação, a única coisa que conseguiu foi uma vida pré-feita.

quinta-feira, maio 01, 2008

a história das coisas

várias verdades inconvenientes. embora seja de origem norteamericana, aplica-se a nós como uma luva. são 21 minutos didácticos de reflexão sobre o nosso sistema actual de consumo, que acaba por condicionar toda a organização social. e as relações internacionas também. poderão dizer que não é bem assim, que as ideias vinculadas não estão totalmente certas, mas parece-me bastante aproximado. desapaixonado, pragmático e não panfletário. bom para reflectir neste 1º de maio, que se quer dos trabalhadores. e das pessoas por detrás desses trabalhadores. algures na história houve uma preversão do sentido do trabalho. quando é que deixámos de trabalhar para a comunidade e passámos a trabalhar para alguns indivíduos? quando é que os pratos da balança se desequilibraram? este documentário devia ser mostrado nas escolas aos nossos adolescentes, seguido de conversa alargada, debate. mas quem controla hoje em dia a escola e as ideias que devem ou não devem ser vinculadas? interessa mesmo fazer das gerações futuras seres conscientes, informados, participantes, ou interessa esconder parte da verdade, parte do sistema? o velho das botas, que caiu da cadeira há uns anos atrás, é que dizia qualquer coisa do género: quanto mais culto um povo, mais difícil de governar.




agradeço à idadedapedra por me ter conduzido até ao vídeo.

sábado, fevereiro 23, 2008

constatação #34

"a cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. a dor é inevitável. o sofrimento é opcional."

carlos drummond de andrade, escritor brasileiro, 1902-1987

terça-feira, fevereiro 12, 2008

debate

debato-me muitas vezes, como qualquer comum mortal, com esta questão do tempo. Como preencher todas as necessidades do meu espírito inquieto, como conciliar trabalho, família, vida a dois, impulsos criativos, exercício físico, os hobbies, a blogosfera e o lazer. somos escravos desta necessidade de fazer coisas, alimentamos a ilusão de que somos felizes fazendo coisas e transformamos os nossos dias em correrias constantes com tempos contados, como se em vez de um só fossemos múltiplos, com existência temporária, aparecendo e desaparecendo conforme as necessidades. em mim vivem um marido, um pai, um médico, um desportista, um músico, um jardineiro, um amigo, um cinéfilo, um internauta, um bibliófilo, um devorador de música, um pensador solitário. às vezes, é gente demais.

terça-feira, janeiro 22, 2008

patchwork

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pressure



thing thing thing thing think thing as

pre pre pre pressure sure sure sure

mind mind mind mind mind mind mind mind mind

segunda-feira, janeiro 21, 2008

luscious life

os canadianos patrick watson. em consonância com os posts anteriores.


sexta-feira, janeiro 04, 2008

volta 2007, estás perdoado

eles matam-se no quénia, matam-se no paquistão, continuam a matar-se no iraque, na palestina, aqui e ali, anula-se o lisboa-dakar. a cereja no topo é a perspectiva de um novo canal de televisão generalista a fazer concorrência à sic(k), tvI (de irritante) e rtp. assim, de chofre, para nos retirar imediatamente a ilusão de que algo mudou para melhor.

domingo, novembro 18, 2007

constatação #28

é absurdo pensarmos que podemos expulsar o absurdo das nossas vidas.
também é inútil pensarmos que podemos expulsar o inútil das nossas vidas.

sms

se há coisa que me dá gozo na vida são os processos dinâmicos e as intercepções desses processos dinâmicos, que são o que fazem, afinal, o nosso mundo relacional. somos bichinhos que gostam de trocar. coisas, objectos, carinho, afecto.

domingo, outubro 21, 2007

a fragilidade da (nossa) existência

a sequência final da fabulosa série "6 feet under". muito se escreveu ao longo de toda a história da humanidade sobre a brevidade da vida, e não serei eu a acrescentar algo de substantivo. "6 feet under" sempre foi uma série que me reconciliou com a vida, por muito estranhos que fossem os acontecimentos que eu estivesse a viver no meu dia a dia. e, como em todas as vidas, por vezes parece-me que a realidade ultrapassa largamente a ficção. nem sempre estamos dispostos a lidar com, e a encarar de frente, a fragilidade da (nossa) existência, mas essa tomada de consciência ajuda-nos a viver os períodos mais "estranhos" das nossas vidas com um toque de relatividade e de desprendimento. como se olhássemos de fora para dentro.



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quarta-feira, outubro 17, 2007

cinismos e contracensos

dia internacional da erradicação da pobreza, desperta contra a pobreza, campanha pobreza zero. há uns anos atrás, teria estado lá, a despertar, mas hoje, um enorme cepticismo baseado na experiência e na observação impede-me de me entusiasmar com este tipo de eventos. despertar? a pobreza é um dado novo nas nossas existências? chamar a atenção dos líderes políticos de que é preciso fazer mais e melhor contra a pobreza? alguém acredita que eles não tenham consciência do mundo em que vivem, da pobreza nos seus próprios países? sendo um problema transversal, atinge todos os países. é um ponto sem nó. não é novidade para ninguém que a capacidade produtiva do planeta é suficiente para todos os seus habitantes e que a pobreza resulta pura e simplesmente da divisão desequalitária da riqueza. entre os países e dentro dos países. perdoem-me o desabafo, mas cada vez o mundo se torna mais incompreensível. lutar contra a pobreza vai contra os princípios básicos do capitalismo dominante, que o mundo rejubila por ter levado a melhor sobre o comunismo. então a palavra de ordem não é arrecadar o mais possível? então o crescimento económico e o crescimento do poder das empresas não é o novo graal? só posso concluir que os chamados objectivos do milénio para 2015 foram um enorme acto de cinismo, e que a maior parte dos líderes mundiais que assinaram o documento na o.n.u. tinha os dedos cruzados atrás das costas e davam risadinhas interiores durante o acto, quais meninos mal comportados quando mentem com convicção.
e depois, a pobreza e a desgraça fazem parte dos ícones obrigatórios em qualquer serviço noticioso. para o povo sentir aquele incomodozinho e ficar muito feliz porque ainda tem umas résteas de sensibilidade no sistema límbico. depois vem o futebol e a telenovela, e tudo passa. mas fica a sensação de que somos muito solidários. não importa que no dia seguinte olhemos os pobres da nossa comunidade com desdém e pensemos que são assim porque não querem trabalhar. que pensemos que os pretos não têm emenda e que nunca conseguirão fazer e manter um país decente. salvam-se alguns idealistas, que por erro genético e desadequação social vão mantendo vivas estas chamas. ou não passa tudo de um imenso folclore?


música: death of an idealist, iLiKETRAiNS





sexta-feira, outubro 12, 2007

claro como água

"sou feliz só por preguiça. a infelicidade dá uma trabalheira pior que doença: é preciso entrar e sair dela, afastar os que nos querem consolar, aceitar pêsames por uma porção de alma que nem chegou a falecer."

mia couto

domingo, outubro 07, 2007

janis e inês

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quis o acaso que recentemente tenha andado às voltas com duas "personagens" femininas que aparentemente nada têm em comum: inês de castro, através da leitura do romance histórico que maria pilar queralt del hierro escreveu, e janis joplin, através da audição duma colectânea comprada ao desbarato numa grande superfície. separadas pelo tempo, duas mulheres que viveram vidas em pleno, duas personalidades fortes e determinadas. têm em comum o fim trágico, uma às mãos dos esbirros de d. afonso IV, a outra às mãos de uma overdose de heroína. perduraram as duas para além do seu tempo, uma pela voz única, a outra pelo amor que a uniu a d. pedro de portugal. das duas perdura também o fim prematuro em tom de tragédia, devoradas pelas sociedades que as rodearam. mas se os fins foram trágicos, as existências foram gloriosas, pessoas que se cumpriram e viveram intensamente. o mesmo não se pode dizer de muitos de nós, nesta sociedade actual de vidas cinzentas e pouco ou nada cumpridas. rainhas por um dia ou escravas toda a vida, reis por um dia ou escravos toda a vida, o velho dilema existêncial.

sexta-feira, setembro 28, 2007

weeping

















fotografias de sabastião salgado
música: weeping song, nick cave and the bad seeds

segunda-feira, setembro 17, 2007

um após o outro

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e de repente, o sol brilha mais fraco, as nuvens impõem a sua presença, e de manhã as gotas de orvalho ainda persistem nas folhas, no tejadilho dos carros. montam-se novas rotinas, retomam-se práticas interrompidas. os momentos de pura alienação inconsequente, saborosamente absorvidos minuto a minuto, frame by frame, juntam-se um após o outro ao enorme baú de memórias de outros verões. daqui por uns anos, já nem saberemos bem se foi neste ou em outro, se foi em julho ou em agosto. é esta a fragilidade das memórias, impressas, transformadas, personalizadas. retemos sensações, intensidades de luz, fragmentos de imagens, toques, olhares, texturas. o resto, compomos de acordo com as necessidades do nosso ego. os momentos em si, são vividos uma e única vez, sem possibilidade de reconstituição fiel ou duradoura. por isso são tão saborosos, tão únicos. por isso tentamos em vão agarrá-los com os cinco sentidos. ou mais, se porventura os tivermos.

foto de nélio filipe, vondel park, amsterdam, agosto 2007