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sexta-feira, janeiro 05, 2007

ainda as imag3ns

notícia na antena 3. vai estrear o novo filme de mel gibson, apocalypto, baseado nos últimos tempos da civilização azteca. o filme, que já se sabe tem cenas particularmente violentas, foi classificado para maiores de 17 nos e.u.a. e para maiores de 18 na alemanha. a surpresa vem de itália, onde foi classificado "para todos". confrontada com os protestos de associações de inspiração cristã, a comissão de classificação defendeu-se dizendo que, depois da exibição em "prime-time" das imagens de saddam hussein a caminho da morte, seria uma hipocrisia classificar este filme para adultos.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

da pornografia das imag3ns 2

no post anterior evitei fazer mais considerações sobre imagens e iconografias, mas parece que se impõem considerações acessórias. questões levantadas em comentário. as imagens são realmente fundamentais na nossa sociedade, são uma forma de comunicação poderosa. de maneira nenhuma pretendo fazer um manifesto anti-imagens. também é verdade que usando do livre arbítrio, cabe a cada um selecionar aquilo que lhe entra pelos olhos adentro. o que está em questão não são as imagens em geral, mas alguns tipos de imagens e a maneira como elas são tratadas e os fins (mais ou menos obscuros) que essa exposição serve.

é verdade que temos a opção de não ver aquilo que não queremos ver. pessoalmente, não vi o vídeo de saddam hussein que motivou o post. não quis ver, não quero ver. mas isto aplica-se a uma margem pequena da população, que me atrevo a chamar de esclarecida. a turba anónima, que devora floribellas e pequenos escândalos, muitas vezes não tem o poder discriminatório para o fazer. ou não o quer utilizar. polémico, eu sei, mas é isto que penso.

as imagens a que me refiro são difundidas, a maior parte das vezes, como suporte da informação. palavra dúbia esta, pois o prefixo in normalmente é um prefixo de negação. a raiz etimológica aqui é obviamente outra, pois informação não é antónimo de formação. as imagens da informação, então, deverão ser imagens que acrescentem algo, que elucidem, que completem a notícia verbal. não deveriam os orgãos de comunicação ponderar o que difundem? a exposição de um homem a caminho da morte serve realmente a informação? os videos semipornográficos que "ilustraram" os primeiros tempos do processo casa pia acrescentaram alguma coisa à informação? tenho muitas dúvidas. e voltamos à questão da selecção. que poder de selecção temos, quando estamos a assistir a um serviço noticioso? a imagem é posta no ar e, quando damos por isso, já ela nos entrou pelos olhos adentro.

em causa está também a dessensibilização da população em geral a certo tipo de imagens. as primeiras imagens de guerra registadas tinham um impacto enorme, pois colocavam o cidadão comum perante a realidade nua e crua. sensibilizaram para os horrores da guerra e tiveram um papel crucial na consciência anti-belicista. esta foto tornou-se um ícone da guerra do vietname, porque punha a nú o horror e o sofrimento. hoje em dia, seria apenas mais uma imagem, no meio de tantas, bem mais chocantes, a que nos habituámos a ver nos serviços de informação.

estão a ver onde é que eu quero chegar?

terça-feira, janeiro 02, 2007

da pornografia das imag3ns 1

(sem imagem)

o mundo e os media são ávidos consumidores de imagens. a propósito deste post. a necessidade voraz de imagens é um fenómeno decadente na nossa evolução colectiva. ainda para mais quando essa necessidade não tem nada de estético e tem muito de voyeurismo acéfalo. olhamos para o homem prestes a morrer com a mesma frieza com que olhamos para as vítimas das catástrofes naturais, para as imagens escaldantes que envolvem uma qualquer starlette surpreendida por um paparazzo, para um colarinho branco apanhado nas malhas da justiça. estas imagens alimentam a novela dos telejornais, fazem capas de revistas e jornais, numa orgia de imagens que vão perdendo o seu significado moral, num zapping vertiginoso de uma pretensa actualidade. que tem como último fim aumentar tiragens e audiências e vender publicidade. reduzidas a duas dimensões, a ganância e a curiosidade mórbida.

sábado, dezembro 16, 2006

ainda a p3na de mort3

isto não vos deixa incomodados? no meio do nosso querido, justo mundo civilizado e democrático...

terça-feira, dezembro 12, 2006

p3na d3 mort3 (a propósito de s. huss3in)

esta notícia coloca-me novamente perante o dil3ma moral r3corr3nt3 da pena de morte. sei bem que não faltarão vozes ocidentalmente democráticas a defenderem o enforcamento de saddam e seus pares, qual multidão em transe nas bancadas das arenas romanas, eu próprio dificilmente resisto a essa tentação primária. sou intrinsecamente contra a pena de morte num estado de direito, pelo respeito essencial pela vida e pela possibilidade de erros de justiça. mas neste caso, afinal o homem foi um tirano, usou e abusou de todos os seus poderes, foi implacável com quem se lhe opôs, genocídios e outras enormidades fazem parte do seu curriculum. no entanto, esta condenação à morte, ainda por cima por enforcamento (se é que a técnica de execução tem alguma importância), tem um cheiro a barbárie, a vingança, a olho-por-olho-dente-por-dente, que acaba por colocar os condenadores (quase) em pé de igualdade com os condenados. não cheira muito a justiça. interiormente, no dilema, acaba por vencer o "sou contra".