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quarta-feira, março 25, 2009

terça-feira, julho 22, 2008

inevitável

porque o homem pensa e a verdade escapa-lhe. porque quanto mais os homens pensam mais o pensamento de um se afasta do pensamento do outro.

milan kundera in a arte do romance

domingo, março 30, 2008

simpsenigma


desenho: adam simpson, 2004. sem título. desconcertante, é um dos adjectivos que me ocorre quando olho para os desenhos deste artista gráfico. mensagens não lineares, piscares de olho à complexidade da natureza humana. parece-nos que entendemos a mensagem, mas não conseguimos traduzi-la integralmente por palavras. o site de adam simpson, onde cheguei via (non) 2, merece uma visita demorada. fico curioso de saber a vossa (tentativa de) interpretação do desenho acima.

sexta-feira, agosto 03, 2007

compro, logo existo

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actualização descartável do velho aforismo de descartes. pensar e deitar fora, porque o pensamento já não confere status. cogito um pouco mais naquilo que vou comprar. ergo o cartão de crédito. sumo-me da vida pensante. consumo, consumo, consumo.

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barbara kruger, i shop therefore i am, fotolitografia em saco de papel, 1990, the museum of modern art, new york

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quinta-feira, junho 07, 2007

forma e conteúdo

embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do mundo
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo
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antónio aleixo
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antónio aleixo mal sabia ler e escrever, mas isso não o impediu de ter uma visão crítica dos homens e do mundo. vivemos numa sociedade que confunde frequentemente formação académica com sabedoria e inteligência. é verdade que ler, estudar, a própria vida académica com toda a riqueza de vivências que proporciona, estimulam os neurónios, mas saber ultrapassar as exigências da formação secundária ou universitária não é de maneira nenhuma sinónimo de inteligência ou sabedoria. alguns dos meus melhores amigos, com quem consigo ter conversas verdadeiramente interessantes, não têm grande formação escolar. alguns dos meus colegas, com formação superior, são das pessoas menos cultas e menos sábias que conheço, no entanto em termos sociais consideram-se bem acima de quem não tem um curso universitário. nada disto me admira, numa sociedade que valoriza mais a forma do que o conteúdo. a cultura e a sabedoria nada têm a ver com o grau de formação académico. é algo que é inerente ao indivíduo, tem a ver com a capacidade de observação, de questionar, de pensar e chegar a conclusões próprias. tem a ver com a curiosidade, com o interesse por si próprio e por aquilo que nos rodeia. muitas pessoas nunca questionam, bebem a cartilha social por inteiro, de um só gole, como se fosse a única perspectiva possível. na verdade nada aprenderam, apenas decoraram. é que há uma diferença entre aprender e decorar. grande, muito grande.

sábado, abril 14, 2007

do inconformismo

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“do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu, do que todos os acertos se eles foram meus, não são seus. se o criador o tivesse querido juntar muito a mim não teríamos talvez dois corpos distintos ou duas cabeças também distintas. os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. é possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura, já o pensamento lhe pertence. são meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”

agostinho da silva

imagem, graffiti entre campolide e amoreiras

do pensamento

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"não me preocupa, no que penso, nem a originalidade nem a coerência. quanto à primeira, tudo aquilo com que concordo passa a ser meu, ou já meu era e ainda se me não tinha revelado. a minha originalidade está só, porventura, na digestão que faço. pelo que respeita à coerência, bem me rala; o que penso ou escrevo hoje é do eu de hoje; o de amanhã é livre de, a partir de hoje, ter sua trajectória própria e sua meta particular. mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso."

agostinho da silva

imagem, graffitti entre campolide e amoreiras