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terça-feira, março 17, 2009

abraços

não gosto muito de falar de religião, tenho o maior respeito pelas crenças individuais, mas este papa é um cromo do pior. quando profere declarações há sempre matéria para posts. há dias queria abraçar toda a áfrica e hoje lá vai ele a caminho e mesmo antes de chegar já começaram as asneiras. sua santidade acredita que o uso de preservativos agrava o combate à s.i.d.a. não sei quem é que lhe deu esta informação, mas obviamente informou-o mal. pretender que o combate à doença se faça através da abstinência, num continente onde a pulsão sexual é fortíssima, só mesmo de quem não vive neste mundo. e se não vive neste mundo, será muito difícil abraçar todo um continente bem real. quem fala assim, não sabe abraçar áfrica. arrisca-se antes a fodê-la. e sem preservativo.

quarta-feira, junho 11, 2008

estes jornalistas são uns cromos do pior

longe vai o tempo em que o jornalismo era uma profissão respeitável, em que a informação era pertinente e reflexiva, em que se noticiavam factos. actualmente o jornalismo vende-se aos lobbies e à pressão das tiragens, grande parte do espaço é ocupado com não-notícias, com especulações, com disparates. os jornalistas do semanário sol, num rasgo de génio que certamente dará lugar a um pulitzer, acabam de promover a cerveja a bem de primeira necessidade. o sol online acha que um dos aspectos preocupantes da paralisação dos camionistas é a previsível falta de cerveja, nos locais de venda, para comemorar as vitórias da selecção. isto no corpo do artigo, porque lendo só o título fica-se com a sensação que essa falta já é efectiva. jornalismo do mais alto gabarito, sem sombra de dúvida.

dia da raça

nem o euro 2008 deixou passar despercebida a gaffe do saloio de boliqueime. remexer no baú das memórias do estado novo e ressuscitar a designação "dia da raça" é capaz de não ter sido boa ideia. toda a esquerda está escandalizada e exige explicações. a minha esquerda também está escandalizada e exige explicações, mas a minha direita, mais racional, enquadra o episódio num contexto clínico, o que justifica perfeitamente o lapso. é sabido que com a idade os neurónios vão sendo cada vez menos e por vezes surgem estes episódios de regresso ao passado. quem nunca teve uma avó, uma tia-avó, um sogro mais idoso, que de repente se julga na meninice ou na adolescência? foi isso que aconteceu. reparem que até agora ainda não referi a hipótese de alzheimer, pois isso requer a elaboração de uma história clínica cuidada e a realização de exames complementares, dados na posse dos quais não me encontro.

sábado, junho 07, 2008

futebol

a bola já rola nos relvados da suiça. finalmente. prometi a mim mesmo que não escreveria sobre o europeu, no und3rblog, enquanto ele não começasse. [por-tu-gal!, por-tu-gal!] a overdose nos media tem sido ridícula. até parece que o governo pagou a todos os orgãos de comunicação social para só falarem de futebol e da selecção. estou a imaginar uma carta, com a chancela do gabinete do primeiro ministro, a pedir (ou ordenar) que esqueçam a crise alimentar mundial, os preços dos combustíveis, as gaffes dos ministros, os problemas laborais e outros que tais. o mundo ficou reduzido a uma bola cheia de ar que circula de pé em pé até entrar (ou não) numa baliza. [por-tu-gal!, por-tu-gal!] desde o início da semana, foi notório o crescer do orgulho deste povo no país de que normalmente apenas sabe dizer mal. as bandeiras começaram a ser expostas, primeiro nas janelas, timidamente, depois nos automóveis, em catadupa. na quinta-feira já podiam ser vistos a circular com uma desfraldada de cada lado. a caminho de casa com a minha filha, proferi uma frase qualquer de crítica, a que ela me respondeu que aquilo é que eram portugueses a sério. [por-tu-gal! por-tu-gal!] portugueses a sério são aqueles que diariamente dão o seu melhor para que este país vá para a frente, com o seu trabalho, com o seu empenho, com o seu exemplo, respondi-lhe eu. [por-tu-gal! por-tu-gal!] não sei porquê, é um dos mistérios da existência, futebol+cerveja é uma das combinações mais perfeitas que existem. também na quinta-feira, abasteci o frigorífico cá de casa, a contar com os jogos de hoje. agora, com licença, que vou beber uma e ver como estão as equipas da suiça e da república checa, pois disso depende a felicidade deste país na próxima semana. por-tu-gal! por-tu-gal! por-tu-gal!

quarta-feira, maio 28, 2008

excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #2

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quarta-feira, 21 de maio de 2008

a sala de embarque abre apenas dez minutos antes da hora de embarque. entretanto, o gado, que fala como se estivesse a beber café a ferver, acumula-se no corredor em volta das portas de correr que teimam em manter-se fechadas. senta-se em qualquer lado, no chão, nos corrimões, em todas as reentrâncias, atrapalhando a passagem dos passageiros que se dirigem às salas mais à frente. separam-nos das cadeiras confortáveis da sala de embarque, enormes paredes envidraçadas através das quais olhamos, com o mesmo olhar que as crianças ostentam quando olham para as montras cheias de doces. dez minutos antes da hora de embarque, as assistentes de terra encaminham-se para as portas de correr. devagar, vagarosamente, lentamente, conversando entre si. trivialidades. sem desviarem o olhar passam por entre o gado, digitam o código de acesso e as portas, as malditas portas, abrem-se de par em par. é então que penso que as assistentes são tão simpáticas, tão eficientes, que apetece esbofeteá-las.

quarta-feira, maio 14, 2008

cinco éfes

na segunda foi o dia do futebol, com o anúncio dos seleccionados. na terça o dia de fátima e dos milhares de peregrinos. hoje deveria ter sido o dia do fado, para se cumprirem os 3 éfes fatídicos que defeniram (definem?) portugal. mas em vez disso, apanhámos com um quarto éfe, de fumo. sua excelência o primeiro ministro foi apanhado a fumar no voo lisboa-caracas. ó escandaleira, aqui d'el rei! a polémica estalou, as televisões dedicam reportagens alargadas ao assunto, os jornalistas entram em ebulição frenética, todos os jornais online escrevem sobre o assunto, os comentários do povo são às centenas. é bom viver num paísinho sem problemas, com muitos gigas de memória ram disponíveis para se dedicar de imediato a assunto tão premente. para rematar a questão, o ilustre fumador, que tinha conseguido o meu respeito ao revelar um lado rebelde e prevaricador, pede desculpa e anuncia que deixou de fumar. estragou tudo. cá pra mim, o que ele devia ter feito era ter utilizado um quinto éfe e ter mandado esta gentinha toda ir-se foder.

quarta-feira, abril 23, 2008

sábado, abril 19, 2008

inclassificável

o p.s.d. não pára de nos oferecer pérolas de demagogia pura e absurda. em vez de partido político, talvez fosse melhor constituirem-se como grupo cómico e venderem programas para fazerem concorrência ao gato fedorento. será imparável este processo de autofagia? o país precisa de ribau esteves. quem deve estar preocupado é o alberto joão jardim, que finalmente tem concorrência à altura para o prémio de maior disparate do ano.


via zero de conduta

quarta-feira, abril 09, 2008

akôrdo ortográphico

e pronto, o ppl tá kontente pk já tem + uma polémika kom k ce preokupar. muito cinceramente, a mim tanto ce me dá, xkrever duma maneira ou doutra. não temo a kontaminação do português europeu plú do brazil. as konsuantx mudas ção pra kair? k kaiam então, não phazem phalta nenhuma. eça mentalidade mxkinha kiagóra vem, muito ophendida, reklamar k em portugal é k ce phala o verdadeiro português e kiú brazil foi descoberto pelos noços egréjios avós, cenão não ce phalava lá português, não leva a lado nenhum. as línguas são entidadx dinâmicas em konstante mutação. ce acim não phôce, ainda xtaríamos a phalar latim ou a xkrever pharmácia kom pê agá. velhos do rxtelo, é o k ção.

sábado, março 22, 2008

obviamente, mais um caso de falta de vocação e preparação para o exercício da actividade docente



em toda esta história da professora, a adolescente e o telemóvel, o que mais espanta é como tanta gente tenta o branqueamento da atitude da aluna e se atira à professora, dizendo que não tem vocação, não está preparada, não sabe exercer autoridade, etc, etc, etc. não ponho links, porque basta ler qualquer notícia ou post sobre o assunto para se encontrar esse tipo de comentários. mal estaríamos se o exercício da autoridade dependesse única e exclusivamente da personalidade de cada docente e não fizesse parte das regras do jogo. a autoridade tem que ser imposta pela instituição escola, tem que estar implícita na relação professor/aluno, sem estar à mercê da personalidade e do estado de espírito de cada um. a foto acima foi retirada de um site brasileiro sobre violência nas escolas. é isso mesmo: uma professora com os dois braços partidos e a cara feita num bolo depois de ter sido agredida por alunos. obviamente, mais um caso de falta de vocação e de preparação para o exercício da actividade docente, de acordo com as doutas opiniões dos analistas de bancada que empestam este país.

domingo, março 16, 2008

a liberdade do estado acaba onde começa a liberdade individual

ainda sobre os piercing. a ideia não é apenas proibir a sua aplicação em menores. o projecto de lei prevê também a total proibição, em miúdos e graúdos, nalgumas localizações, a saber, cavidade bucal e genitalia. aqui reside o maior absurdo da questão. o estado sente-se no direito de controlar a maneira como adornamos o corpo e isto é muito grave. os argumentos que sustentam esta ideia não os conheço, mas não consigo imaginar nenhum que seja irrefutável. é sabido que algumas localizações têm como consequência algumas lesões graves que exigem intervenção dos serviços de saúde. também a obesidade tem consequências graves, também a vida sedentária tem consequências graves, o consumo regular de fast-food tem consequências graves, o consumo imoderado de álcool tem consequências graves, os desportos radicais podem ter consequências graves. caminhamos para uma ditadura da saúde, em que todas as práticas potencialmente perigosas são proibidas? os nossos corpos vão deixar de nos pertencer? temos o dever de os manter impolutos, ao serviço do crescimento do p.i.b. e sem sobrecarregarmos o serviço nacional de saúde? irá surgir uma polícia de saúde que nos vai entrar pela casa adentro para controlar o que ingerimos, como utilizamos o nosso corpo? é demasiado absurdo para sequer ter vontade de brincar sobre o assunto.

sábado, março 15, 2008

creutzfeld-jacobs?

deve ser do aquecimento global. é sabido que o aumento da temperatura dificulta o funcionamento dos neurónios e baralha as ideias. ou então há para aí uma nova epidemia de uma demência degenerativa da qual ainda não foi descoberto o agente etiológico. senão vejamos: as reportagens da s.i.ck com o josé e o luís filipe, a greve geral e os números do governo e sindicatos, o projecto de lei do p.s. que proíbe a aplicação de piercings, tatuagens e maquilhagens permanentes em menores. tudo isto em apenas dois dias. sobre o josé e o luís filipe, não me apetece falar, é demasiado absurda esta encenação manipulatória. a greve geral e os números já são uma repetição dos episódios anteriores, mas de 7% (governo) a 70% (sindicatos), cada vez o diferencial é maior. proponho que para se fixarem os números oficiais se passe a fazer a média aritmética simples. para terminar a semana em grande, o projecto de lei dos piercings. se fosse primeiro de abril, estava explicado. não sendo, não tem explicação.

terça-feira, março 11, 2008

vai na volta ainda descobrem que a hilária é prima do menezes

já era suficientemente mau que a campanha de hillary clinton tivesse lançado este vídeo, com uma mensagem tipo bush. o que não se esperava era que as imagens da cândida criança que dorme tranquilamente tivessem sido filmadas há nove anos atrás para uma campanha publicitária de uma empresa ferroviária e que a jovem casey knowles, hoje com 17 anos, viesse declarar publicamente coisas do tipo "o anúncio o que vende é medo, recorre a algo fácil, barato. realmente prefiro a mensagem de obama, de olhar com ilusão para um futuro brilhante" ou "é realmente irónico que a minha imagem seja utilizada para defender a causa de hillary, quando eu não a defendo".

segunda-feira, março 03, 2008

portugueses que gostariam de ser espanhóis

é um tema recorrente na sociedade portuguesa. embora actualmente a imprensa ande calma, volta e meia encontro um post na blogosfera que expressa a ideia de que se fossemos espanhóis estariamos muito melhor, e que nos deviamos fundir com o país de nuestros hermanos. invejinha da mais pura, a galinha do vizinho é sempre melhor do que a minha, etc, etc. embora o conceito tenha o dom de me irritar solenemente, confesso que, também eu, tenho inveja dos espanhóis. tenho inveja do sentimento arriba españa, de serem capazes de se organizarem, de cumprir horários, de terem o conceito de hierarquias, de saberem distinguir o trabalho do conhaque, de serem activos civicamente. tudo atributos que por cá rareiam. os portugueses que gostariam de ser espanhóis, não querem realmente ser espanhóis. querem apenas que venham de fora organizar aquilo que nós não somos capazes de organizar, querem ter os ordenados ao nível dos espanhóis mas continuarem a não pensar em produzir, muito menos produzir como os espanhóis. querem continuar a utilizar o local de trabalho como um local de convívio onde, após um longo bocejo, de vez em quando se trabalha um bocadinho. querem continuar a dizer mal e a apontar o dedo a tudo e a todos, sem serem capazes de olhar criticamente para o espelho. os portugueses que gostariam de ser espanhóis, seriam os primeiros a depois atribuir as culpas aos espanhóis por isto não funcionar e sermos a região mais pobre de espanha. os portugueses que gostariam de ser espanhóis, seriam os primeiros a contestar terem um espanhol como superior hierárquico e os primeiros a chamar-lhe fascista (pelas costas, claro), quando ele lhes exigisse o trabalhinho feito a tempo e horas, ou lhes recordasse que estavam num local de trabalho e não de convívio. os portugueses que gostariam de ser espanhóis são pequeninos e invejosos, mesquinhos e preguiçosos. e esquecem-se que nada os obriga a ficar por cá a atrapalhar isto, espanha fica mesmo aqui ao lado, já nem têm que apresentar o b.i. quando atravessarem a fronteira.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

alberto joão, estás à espera de quê?

a maioria dos 27 estados-membros da união europeia deve reconhecer [a independência d]o kosovo, mas espanha confirmou hoje que «não reconhecerá o acto unilateral» da proclamação da independência do kosovo, «porque não respeita a legalidade internacional».
e faz muito bem a espanha. o único interesse no reconhecimento da independência deste pequeno território por parte dos estados da união europeia e dos estados unidos da américa é travar e delimitar a influência russa em terras europeias. na verdade, estão-se nas tintas para os kosovares. se a moda pega, a espanha desmembra-se, mas os ingleses não se podem esquecer das velhas aspirações escocesas e da irlanda do norte. e, já agora, do país de gales também. os italianos do norte também deviam aproveitar e ver-se livres do resto da bota, que só consome o que produzem. e a sicília devia ser entregue de vez à mafia, que se calhar é mais branda do que os dirigentes kosovares. e a flandres e a valónia, porque continuam juntas? a gronelândia e as faroé porque hão-de continuar sob o jugo de copenhaga? e os lapões, não têm direito ao seu estado? allgarve independente, já!

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

sem comentários, é desta que eu crio a etiqueta "filhos da puta"

“um trabalhador que esteja cansado física ou psicologicamente – porque está mais velho, porque tem problemas familiares, porque trabalhar naquela empresa não era exactamente o que pretendia ou porque se desinteressou do trabalho – deve poder ser despedido por justa causa”, defendeu em conversa com o correio da manhã gregório rocha novo, membro da direcção da c.i.p.

via a origem das espécies

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

que eu me lembre, para haver um país tem que haver um povo e um território. território, temos...

francisco van zeller, uma das figuras mais simpáticas, mais democráticas e menos gananciosas da sociedade portuguesa, entende que os despedimentos não podem ser só provocados por inadaptação ou casos disciplinares. as confederações patronais da indústria e do comércio querem que as empresas passem a poder despedir trabalhadores quando pretendam renovar os seus quadros de pessoal. "não raro, as empresas estão apenas carecidas de trabalhadores diferentes e não de menos trabalhadores. é essa renovação que também se tem de possibilitar", defende a confederação da indústria portuguesa. em minha opinião, muitas empresas benefeciariam muito mais se lhes renovassem os dirigentes, substituindo-os por pessoas mais jovens, mais bem formadas moralmente, com melhores conhecimentos técnicos de gestão de recursos humanos e menos gananciosos, que não desbaratassem o capital das empresas em vidas desproporcionalmente luxuosas. a pretensão destes senhores é, em si mesma, preocupante. como se as empresas não tivessem responsabilidades éticas ou sociais. o objectivo é deixar os funcionários completamente à mercê das chefias e patrões, promovendo o culambismo, as formas encapotadas de semiescravatura e os pequenos e grandes delatores. mas mais preocupante ainda são os comentários que os leitores do público deixaram na respectiva caixa. muitos (funcionários públicos, presume-se) regozijam-se com esta pretensão da c.i.p., como vingança pelos ataques que os trabalhadores das estruturas privadas têm feito, de alguns anos a esta parte, aos pretensos previlégios da função pública. podem ler-se pérolas como "criticaram os funcionários públicos? acharam bem tudo aquilo que nos têm feito? pois esperem que a vingança vai servir-se GELADA." ou "erguem-se agora as virgens ofendidas, trabalhdores do sector privado, quando o alvo foi a função pública recomendavam: mudem de emprego. chegou a hora da função pública lhes dizer: não estão satisfeitos, EMIGREM." como funcionário público que sou, não posso deixar de perceber a origem deste desejo de "vingança", mas estas fracturas sociais não auguram nada de bom para este povo. mas há mais. alguns leitores mais catastróficos já dão a pretensão da c.i.p. como lei, como dado adquirido, e aproveitam para desancar no governo com toda a veemência. às vezes torna-se difícil chamar a isto um país...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

ainda bem que eu vivo na província, mas mesmo assim estou um pouco enjoado

queria falar sobre a cimeira ue-áfrica, mas nem sei por onde começar. antes de mais, porque é que lhe chamaram cimeira? a palavra cimeira evoca elevação, positivismo e outros conceitos que nada têm a ver com o que aconteceu. baixeira, seria uma palavra muito mais consentânea com a realidade. uma abordagem séria seria referir, à semelhança do que já muita gente fez, o facto ridículo que constituiu ver alguns dos maiores malfeitores do mundo a serem recebidos com subserviência. os 80 quartos que a delegação angolana ocupou num dos melhores e mais caros hotéis da capital também me parecem dignos de nota. com tanta hipocrisia à solta, lisboa não foi certamente um lugar muito recomendável durante o fim de semana. ver a democracia europeia a enxovalhar-se para garantir os mercados africanos foi um triste e degradante espectáculo. já hoje, a imprensa chinesa, que como toda a gente sabe é isenta e independente, anunciava o fracasso da cimeira. claro que isto não tem nada a ver com os interesses chineses em áfrica. outra imprensa independente, a do zimbabué, anunciava a maneira heróica como o seu querido líder se comportou e como rechaçou os argumentos e a contestação dos malditos racistas que apenas querem denegrir a imagem de um homem bom e dedicado ao bem estar do seu povo. a festa do regresso vai ser de arromba, não tenhamos dúvidas. e porque sorri o nosso primeiro no fim desta palhaçada? apetece fazer uso da velha frase: parem o mundo que eu quero descer.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

out of control

já há muito tempo que não tinha esta sensação de morar na província. como é possível que control, o filme de anton corbijn sobre ian curtis, figura máxima dos joy division, se mantenha em exibição, semana após semana, apenas em lisboa e no porto? um filme aclamado, premiado, sobre um dos maiores ícones da minha geração. estranhas (para não usar outros epítetos) são as lógicas da distribuição cinematográfica neste país.