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sábado, março 22, 2008

obviamente, mais um caso de falta de vocação e preparação para o exercício da actividade docente



em toda esta história da professora, a adolescente e o telemóvel, o que mais espanta é como tanta gente tenta o branqueamento da atitude da aluna e se atira à professora, dizendo que não tem vocação, não está preparada, não sabe exercer autoridade, etc, etc, etc. não ponho links, porque basta ler qualquer notícia ou post sobre o assunto para se encontrar esse tipo de comentários. mal estaríamos se o exercício da autoridade dependesse única e exclusivamente da personalidade de cada docente e não fizesse parte das regras do jogo. a autoridade tem que ser imposta pela instituição escola, tem que estar implícita na relação professor/aluno, sem estar à mercê da personalidade e do estado de espírito de cada um. a foto acima foi retirada de um site brasileiro sobre violência nas escolas. é isso mesmo: uma professora com os dois braços partidos e a cara feita num bolo depois de ter sido agredida por alunos. obviamente, mais um caso de falta de vocação e de preparação para o exercício da actividade docente, de acordo com as doutas opiniões dos analistas de bancada que empestam este país.

terça-feira, abril 17, 2007

cowboys

mais um massacre para juntar à lista. há fenómenos na sociedade americana que se tornam incompreensíveis para um europeu, e ainda bem. será que desta vez a poderosa rifle association revê as suas posições contra o controlo das armas? duvido... daqui por uns anitos, hollywood retirará os respectivos dividendos.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

viol3ncia


hoje o meu filho mais velho foi ao funeral de um amigo. chegou a casa com um outro amigo, ambos tristes, vinham de um momento difícil. estão revoltados. eles e mais uma série de jovens desta cidade. o amigo morto foi vítima de violência, apenas por responder às provocações "masculinas" de outros jovens sensivelmente da mesma idade, numa noite que era suposta ser de divertimento. um murro no sobrolho, uma lesão interna que foi babando durante dois dias até o cérebro ficar afogado em sangue. mais um caso entre os vários que já ouvi relatados pelo meu filho e alguns em que ele próprio se envolveu. só que o desfecho deste foi bem mais trágico. não vou aqui recordar a cidade calma, pacata, segura em que cresci. pergunto-me de onde vem esta necessidade de violência. como sempre, posso estar errado, mas esta nova geração de rapazes, que chega agora à idade adulta, comporta-se de uma maneira muito mais violenta do que a dos pais que os criaram e educaram. foram expostos a doses maciças de violência enquanto cresciam com desenhos animados violentos, filmes violentos e jogos de consola igualmente violentos. e muitas vezes sem o acompanhamento necessário e equilibrante de quem tinha a responsabilidade de os formar mas andava demasiado ocupado com a carreira, a miragem do dinheiro, a encher a casa de aparelhos da última geração e a exibir aos vizinhos carros e telemóveis. ou simplesmente a sobreviver. relegámos para a escola o dever de os educar, de os formar moralmente, e compensámo-los da nossa distracção com brinquedos caros de todo o tipo. demos-lhes um mundo cheio de matérias mas vazio de conceitos. a ao defendê-los de tudo e de todos, dos professores que os queriam disciplinar, dos vizinhos que lhes chamavam à atenção, demos-lhes a ilusão da impunidade. ninguém lhes ensinou o que é que significa realmente ser homem.