sábado, maio 31, 2008

excertos dos cadernos de viagem do famoso explorador nélio na sua expedição a palma de mallorca #4

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quinta-feira, 22 de maio de 2008

só boas surpresas.

palma de mallorca, que eu pensava ser apenas uma estância turística, revela-se uma cidade cheia de história e interesse.

o congresso não é mau de todo, os espanhóis basicamente têm os mesmos problemas que os portugueses, mas debatem-nos de uma maneira completamente diferente. o simples facto de se tratarem todos por tu facilita a comunicação e coloca todos os interlocutores ao mesmo nível. não vejo por aqui nenhuma daquelas eminências pardas que se passeiam com ar altivo pelos congressos portugueses, aqueles à volta dos quais os jovens ambiciosos fazem um círculo de beija-mão. os trabalhos do congresso decorrem com fluência e sempre com sumo. há orgulho nos trabalhos, mas a vaidade é muito pouca. a troca de experiências é abundante e o desejo de construir em conjunto é evidente. debate-se ciência fundamental, mas também aspectos muito práticos de organização. objectivos práticos e como atingí-los.

o grupo de portugueses de que faço parte também não está mal. é inevitável nestes grupos falar-se de viagens, das partes do mundo que cada um conhece, de histórias rocambolescas. dos filhos e dos problemas profissionais. o convívio tem sido bom, apesar de termos todos acabado de conhecer-nos. normalmente fujo desse convívio para não aturar gente pedante que olha por cima do sobrolho. detesto histórias de quem conta com todos os pormenores a sua estadia no hotel do gelo na lapónia e nos "diz" entre sorrisos "eu já lá estive e tu não".

5 comentários:

idadedapedra disse...

ora bem, fico a saber que afinal palma de maiorca é um sítio a visitar... eu tinha a mesma ideia que tu, que era pura e simplesmente turístico :)

Não vou a congressos há anos. Não lhes vejo qualquer utilidade desde que há net e o convívio com os outros médicos é para mim um sacrifício :)

nelio disse...

concordo contigo em termos de ciência básica, mas em matérias de organização, de protocolos, de resolução de problemas práticos, aprende-se sempre com os outros, principalmente se não tiverem os mesmos vícios que nós.
o convívio realmente é complicado. normalmente somos uma classe com muita falta de classe, com os egos excessivamente grandes. desta vez tive sorte, o grupito era simpático. quando não é, não tenho problemas nenhuns em fazer figura de urso e andar sempre sozinho. sou adepto da máxima antes só que mal acompanhado.

idadedapedra disse...

ah pois, mas essa parte da organização dos serviços por exemplo, é uma coisa que já não acontece quando se sai do hospital.
Eu trabalho numa clínca com vários colegas, e a tentativa de organização do que quer que seja é simplesmente impossível, porque são trabalhadores individuais e só fazem exactamente o que querem. Dão consultas e mais nada, ninguém se interessa sobre o funcionamento... mas aquilo tem que funcionar.
Quanto a protocolos de actuação em termos clínicos, isso então é desgastante. Eu não sou dona nem sócia da clínica; trabalho lá como todos os outros. Mas faz-me tanta impressão que as pessoas não se dêem ao trabalho de estudar sequer, que vou pondo no placard da sala de convívio, artigos que vou lendo, cópias de folhas de livros sobre determinados assuntos que sei que estão a ser mal orientados por outros colegas...

Passo a vida a dizer mal dos médicos, não é? :/ Mas é que tenho mesmo a impressão que 80% deles são tão maus médicos, ralam-se tão pouco com os doentes, são tão armados em reis, em seres superiores...

nelio disse...

o problema é que muita gente foi para a profissão mais pelo status social do que pela profissão em si. ou então, e isso é notório nestas novas gerações, porque tinha nota para entrar. depois dá nisto... :(

idadedapedra disse...

bolas, a minha filha anda a desaprender tudo o que eu lhe ensinei por exemplo em relação a pontualidade. Eles gozam com ela por ela chegar a horas :(